O que começou como uma ajuda para a decoração de uma festa infantil se transformou em uma trajetória de mais de dez anos dedicada ao artesanato em feltro. À frente da loja Miudinho Feltro, Cláudia Veiga cria peças personalizadas para diferentes ocasiões, sempre com um objetivo: transformar as ideias dos clientes em lembranças feitas à mão.
Cada projeto nasce de uma conversa, evolui ao longo do processo de criação e acompanha momentos especiais de diferentes famílias. Mais do que produzir peças em feltro, a artesã construiu uma relação de confiança com quem escolhe seu trabalho.
Nesta entrevista, Cláudia também conta como o encerramento do Elo7 marcou sua trajetória e por que decidiu apostar no Artesanou para escrever o próximo capítulo da sua história.
Como uma festa da Rapunzel mudou tudo
O artesanato sempre esteve presente na vida de Cláudia. Desde os dez anos de idade, ela gostava de criar com as próprias mãos e experimentou diferentes técnicas, como bordado, pintura em tecido e crochê. Apesar desse interesse, durante muito tempo essas atividades permaneceram apenas como um hobby.
A mudança aconteceu em 2011, quando uma prima organizava a festa de aniversário da filha com o tema Rapunzel e pediu ajuda para criar um centro de mesa diferente.
Em vez de uma lembrancinha tradicional, Cláudia desenvolveu um peso de porta da Rapunzel decorado com flores em feltro. A peça chamou atenção e despertou o interesse de outras pessoas.
“Desde então não parei mais. Fui pesquisando, me aprimorando na técnica, foram entrando pedidos e não parei mais”, relembra a artesã.
Dois anos depois, em 2013, ela abriu sua loja Miudinho Feltro no Elo7. A partir dali, o artesanato deixou de ser apenas uma paixão para se tornar sua profissão.
Quando o artesanato encontrou um novo propósito
No início, Cláudia não imaginava que o trabalho artesanal ocuparia um espaço tão importante em sua vida.
Conciliar a rotina da família com a vontade de continuar trabalhando era um desafio, e foi justamente o artesanato que tornou esse equilíbrio possível.
“Nunca imaginei que o artesanato um dia fosse a minha profissão. Mas, no meu caso, foi juntar o útil ao agradável”, conta.
Ela explica que precisava permanecer em casa para acompanhar a rotina dos filhos e do marido, mas não queria abrir mão da vida profissional. “O artesanato em feltro me proporcionou isso.”
Foi assim que nasceu uma trajetória construída peça por peça, sempre com dedicação e aprendizado constante.
Cada criação começa pela história do cliente
Na loja de Cláudia, nenhuma peça nasce pronta.
Antes de iniciar qualquer produção, ela procura entender o que o cliente imagina e quais detalhes fazem diferença naquele pedido. O objetivo não é reproduzir uma cópia, mas criar uma peça inspirada no desejo de cada pessoa.
“Meu processo criativo começa com a escolha do tema do cliente. Procuro atender as expectativas ao máximo, mas deixando sempre claro que trabalho artesanal não é cópia idêntica e sim uma inspiração”, explica.
Essa construção conjunta também faz parte do atendimento.
Durante a produção, Cláudia mantém contato constante, envia fotos das etapas do trabalho e acompanha o pedido até que ele seja entregue.
“Meu trabalho só é finalizado com o pedido nas mãos do cliente”, resume.
Segundo ela, esse acompanhamento transmite tranquilidade para quem compra um produto personalizado pela internet, fortalecendo a relação de confiança construída durante todo o processo.

Um boneco que marcou para sempre a história da loja
Ao longo dos anos, muitos pedidos se tornaram especiais, mas existe um que Cláudia guarda com carinho.
Foi a produção do boneco “Davizinho”, encomendado por uma mãe para presentear a equipe do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, responsável pelo tratamento do filho, uma criança cardiopata.
“Foi uma honra fazer parte desse momento e vivenciar toda a luta dessa mãezinha com a recuperação do seu pequeno David”, conta.
A família veio de Belém, no Pará, para acompanhar o tratamento da criança na capital paulista, e o presente simbolizava toda a gratidão pelos profissionais que fizeram parte dessa caminhada.



Histórias como essa mostram que, muitas vezes, o artesanato representa afeto, cuidado e memória.
Muito além do feltro: confiança em cada detalhe
Além das peças personalizadas, Cláudia acredita que o atendimento é um dos maiores diferenciais da loja Miudinho Feltro.
Ela acompanha cada etapa da produção junto ao cliente, utiliza materiais de qualidade e faz questão de manter uma comunicação próxima até o momento da entrega.
“Minhas peças são personalizadas e faço de acordo com o desejo do cliente. Utilizo materiais de qualidade e mantenho contato durante o processo de criação enviando fotos. Acredito que isso dá tranquilidade e confiança ao cliente”, explica.
Esse cuidado também aparece nas avaliações recebidas ao longo dos anos.
Segundo a artesã, os elogios mais frequentes destacam o acabamento das peças, a atenção aos detalhes e o atendimento sempre cordial e pontual.

Um novo capítulo para uma história construída há mais de dez anos
Depois de trabalhar por mais de uma década no Elo7, Cláudia recebeu com frustração a notícia do encerramento da plataforma. Mesmo enfrentando um período de queda, ela ainda representava uma importante fonte de divulgação e vendas para a loja.
“Foi bem frustrante porque, mesmo com a fase ruim da plataforma, sempre tinha vendas no mês e ela trazia clientes”, lembra.
Durante esse período de transição, a artesã conheceu o Artesanou por meio de um grupo no Facebook e realizou a migração da loja.
Além da nova plataforma, ela voltou a investir em canais como o Pinterest para ampliar a divulgação da Miudinho Feltro e alcançar novos clientes.
Para o futuro, Cláudia espera continuar fazendo aquilo que a motivou desde o primeiro peso de porta criado para uma festa infantil.
“Meu desejo é continuar fazendo meu trabalho da melhor forma possível, com todo o amor e dedicação que sempre coloquei em cada peça”, afirma.
E deixa um conselho para outros artesãos que também vivem esse momento de mudança:
“Toda mudança gera desconforto, mas acredito que vamos vencer essa fase. É momento de reciclar, mudar alguma coisa que já não vinha legal na outra plataforma para poder recomeçar com força total.”











