Usar inteligência artificial para vender mais sem ampliar a equipe não significa apenas automatizar tarefas. Também envolve produzir conteúdos que ajudem clientes a encontrar produtos, aproveitar melhor os dados gerados pela loja e transformar essas informações em decisões comerciais.
Esses são alguns dos aprendizados compartilhados por Isaac Scheffer, fundador da agência Istória, durante participação no Embaixadores Podcast. Neste artigo, reunimos os principais insights da conversa e mostramos como aplicá-los no dia a dia do e-commerce.
Como fazer sua loja aparecer nas respostas das inteligências artificiais
Cada vez mais consumidores deixam de pesquisar apenas pelo nome de um produto e passam a explicar sua necessidade para ferramentas como ChatGPT e Gemini.
Para que sua loja apareça nessas recomendações, ela precisa oferecer conteúdo suficiente para que a IA compreenda o catálogo e saiba quando indicar cada produto.
Isaac ilustra essa mudança com o exemplo de uma mãe que procura uma solução para estrias após a gravidez. Segundo ele, a pesquisa já não acontece da mesma forma.
“Essa mãe que recentemente teve um filho não vai ficar muito tempo no Instagram, no Google pesquisando. Hoje em dia ela vai no ChatGPT: ‘Tô me sentindo com autoestima baixa, acabei de ser mãe, tô com cicatrizes, quero resolver isso, tem como?’ E ele vai começar a indicar produtos.”
Para que essa recomendação aconteça, a loja precisa explicar muito mais do que características técnicas. É necessário mostrar para quem o produto é indicado, quais problemas resolve e em quais situações faz sentido utilizá-lo.
“Quando tu começa a criar landing pages estratégicas, o conteúdo tem que fazer sentido. As IAs vão começar a ler isso”, explica Isaac.
Por isso, para preparar a loja para esse novo comportamento de busca, é importante priorizar conteúdos como:
- Descrições completas: mostrando benefícios, aplicações e diferenciais;
- Landing pages: aprofundando informações sobre categorias ou linhas de produtos;
- FAQs: respondendo às dúvidas mais frequentes;
- Artigos de blog: conectando produtos às necessidades dos consumidores.
Por que FAQs e blog ganharam importância na era das IAs
FAQ e blog passaram a cumprir um papel que vai além do SEO. Eles ajudam as inteligências artificiais a interpretar melhor os produtos, os serviços e o funcionamento da loja.
Ao explicar o motivo, Isaac faz uma observação interessante: “O FAQ é uma maneira que ela entende qual problema aquela empresa, aquele produto ou aquele serviço resolve e como resolve. Faixa de preço, atende o Brasil todo, quanto tempo leva para ser entregue…”
Ou seja, perguntas simples acabam fornecendo exatamente o tipo de contexto que uma IA procura para formular respostas. Um FAQ pode esclarecer, por exemplo:
- Para quem determinado produto é indicado;
- Diferenças entre versões semelhantes;
- Regiões atendidas pela loja;
- Prazo de entrega;
- Formas de pagamento;
- Condições de garantia.
O blog complementa esse trabalho ao aprofundar temas relacionados aos produtos. Isaac destaca que esse tipo de conteúdo também aumenta a credibilidade das informações consumidas pelas inteligências artificiais.
“Eu vi que elas gostam muito de FAQ e blog. São fanáticas em blog também… o blog traz uma referência, aquilo meio que te dá uma credibilidade”, fala.
Como usar IA para reduzir tarefas repetitivas
Outro aprendizado da entrevista é que inteligência artificial não serve apenas para criar textos ou responder clientes. Ela também ajuda a diminuir o tempo gasto com atividades operacionais, permitindo que a equipe concentre esforços em ações que geram mais resultado.
O próprio Isaac conta que utiliza IA para precificar projetos da agência. Primeiro, ele mede quanto tempo cada atividade leva para ser executada. Depois, utiliza essas informações para calcular valores mais precisos. Esse mesmo raciocínio pode ser aplicado ao e-commerce em tarefas como:
- Cadastro de produtos;
- Organização de informações enviadas por fornecedores;
- Classificação de categorias;
- Criação de descrições;
- Respostas para perguntas frequentes;
- Atualização de catálogos.
A ideia não é retirar pessoas dessas atividades, mas reduzir o trabalho manual para que a equipe tenha mais tempo para decisões estratégicas.
Como transformar dados em decisões melhores
Um dos momentos mais interessantes da entrevista acontece quando Isaac fala sobre o aplicativo Cheguei, da Empreender, conhecido por avisar clientes quando um produto volta ao estoque, mas Isaac diz que esse é apenas um dos benefícios.
Segundo o especialista “O valor maior não é nem a revenda em si, mas os dados para mandar produzir.” Ele explica que um produto esgotado nem sempre merece uma nova fabricação.
“Tem produto que esgotou e as pessoas não estão interessadas nele. Então tu vai comprar ele só porque esgotou? Não. O Cheguei ajuda nisso porque o cara se cadastra naquele produto em específico”, conclui. Conheça o app:
Cada cadastro para receber um aviso de reposição funciona como um indicador de demanda. Essas informações ajudam a responder perguntas importantes, como:
- Quais produtos merecem reposição imediata;
- Quantas unidades fazem sentido produzir ou comprar;
- Quais categorias despertam maior interesse;
- Quais itens perderam força entre os consumidores.
Esse exemplo amplia o papel da inteligência artificial no e-commerce. Ela deixa de servir apenas para automatizar tarefas e passa a apoiar decisões comerciais com base em dados produzidos pela própria loja.
Nesse case da Spinnaker Watches, Isaac explica como a loja foi de R$300 mil a R$600 mil em 2 meses usando o app Cheguei e Rastreio.net.
O que muda para quem vende online a partir de agora
Ao longo da sua participação no Embaixadores Podcast, Isaac Scheffer defende que a inteligência artificial não representa uma ruptura, mas uma evolução da forma como as lojas se apresentam na internet.
Para ele, quem produz conteúdo útil, organiza melhor as informações da loja e entende o comportamento dos clientes já começa a construir uma vantagem competitiva nesse novo cenário. Assista ao episódio na íntegra:
Mais do que acompanhar uma tendência, a proposta é preparar a loja para um ambiente em que as decisões de compra passam, cada vez mais, pelas recomendações das inteligências artificiais.
Se essa mudança realmente se consolidar, o diferencial deixará de ser apenas vender um bom produto. Também será preciso ensinar as IAs a entender quando, para quem e por que aquele produto merece ser recomendado.
Não se trata apenas de adotar novas ferramentas, mas de construir uma presença digital capaz de responder perguntas, explicar soluções e transmitir confiança.
É esse conjunto de informações que, na visão de Isaac, tende a ganhar cada vez mais peso conforme consumidores incorporam a inteligência artificial à rotina de compra.
No fim, a disputa pela próxima venda pode começar muito antes de o cliente acessar uma loja virtual. Ela pode começar na resposta que uma IA escolhe entregar.
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