Plataformas de afiliados: como empresas e criadores geram vendas e comissões

As plataformas de afiliados se tornaram uma das principais estruturas por trás do marketing digital moderno. Elas conectam empresas a parceiros como criadores de conteúdo, sites especializados e influenciadores, que desejam divulgar produtos e promover essas ofertas em troca de comissão sobre os resultados gerados.

Com o crescimento do e-commerce e da creator economy, essa estratégia passou a ganhar espaço em diferentes setores. 

Para muitas empresas, os programas de afiliados ajudam a ampliar o alcance das campanhas e a organizar as parcerias. Para os afiliados, representam uma oportunidade de gerar renda promovendo produtos e serviços online.

Mas como essas plataformas funcionam na prática, quem participa desse sistema e de que forma as comissões são estruturadas? Ao longo deste artigo, você vai entender tudo isso.

O mercado global e a evolução das plataformas de marketing de afiliados

O mercado global de plataformas de marketing de afiliados movimentou US$ 22.577,9 milhões em 2025 e deve atingir US$ 35.703,2 milhões até 2033, segundo levantamento da Grand View Research

Esses números ajudam a explicar algo que muita gente já percebe na prática: a afiliação deixou de ser um canal complementar e passou a ocupar um papel central na aquisição de clientes no comércio digital.

Hoje, empresas de praticamente todos os setores usam programas de afiliados para ampliar sua presença online e alcançar novos públicos. 

Parte desse crescimento também vem da evolução das próprias plataformas que gerenciam os programas de afiliados e operam conectadas a ferramentas como:

  • Plataformas de e-commerce, responsáveis pelas lojas virtuais;
  • Provedores de pagamento, como PayPal, que processam transações e automatizam repasses financeiros;
  • Redes que conectam marcas a influenciadores e criadores de conteúdo, ampliando o alcance das campanhas;
  • Ferramentas de automação de marketing, como HubSpot ou ActiveCampaign, utilizadas para gerenciar relacionamento com clientes e campanhas digitais.

Quando essas peças funcionam juntas, o gerenciamento de afiliados deixa de ser algo manual e passa a fazer parte da própria estrutura do negócio digital.

Mercado de marketing de afiliados na América Latina

Na América Latina, as plataformas de marketing de afiliados vêm ganhando espaço à medida que o comércio eletrônico e a economia digital avançam na região.

Dados da Grand View Research indicam que o setor gerou US$ 1.818,8 milhões em receita em 2025, representando aproximadamente 8,1% do total global.

A pesquisa também projeta que a atividade continuará se expandindo nos próximos anos, com taxa composta anual de crescimento (CAGR) de 7,4% entre 2026 e 2033.

Esse avanço acompanha a expansão do e-commerce e a adoção crescente de estratégias de marketing digital baseadas em performance em diferentes setores da economia regional.

O mercado de afiliados na América do Sul

Dentro da América Latina, a América do Sul apresenta um cenário de crescimento para programas e plataformas de afiliados.

Segundo a Cognitive Market Research, a receita gerada por esse segmento na região deve alcançar US$ 2.532 milhões até 2033. O estudo analisa especialmente os países com maior atividade nesse setor, incluindo:

  • Brasil
  • Argentina
  • Colômbia
  • Peru
  • Chile

Esses países concentram grande parte das operações de afiliados na região, impulsionadas pela expansão da produção de conteúdo digital e pela participação crescente de criadores e influenciadores nas estratégias de divulgação de marcas e produtos.

Marketing de afiliados no Brasil

Entre os países da América do Sul, o Brasil se destaca como o principal polo de afiliados da região. De acordo com a Cognitive Market Research, o país gerou US$ 610,648 milhões em receita em 2025 e deve alcançar US$ 1.143,23 milhões até 2033.

Além da expansão do setor, o Brasil também reúne algumas das principais plataformas e redes de afiliados voltadas para produtos digitais e e-commerce. Entre as empresas com presença relevante nesse cenário estão:

  • Awin
  • Rakuten Advertising
  • Amazon Associates
  • FlexOffers
  • ClickBank
  • MaxWeb
  • CJ
  • Partnerize
  • Hotmart
  • Eduzz

A presença dessas plataformas mostra como o país combina redes globais de afiliados com plataformas locais especializadas em produtos digitais, ampliando as oportunidades para os stakeholders (partes interessadas).

Essa dinâmica também aparece quando observamos dados do Censo de Criadores de Conteúdo do Brasil, realizado pela Wake Creators em 2025. Entre os formatos de publicidade já realizados por criadores do país, os mais comuns são:

  • 67% permutas com marcas
  • 57% campanhas pontuais
  • 42% produção de UGC (user generated content)
  • 26% programas de afiliados
  • 23% atuação como embaixadores de marca
  • 12% afirmam nunca ter fechado publicidade

Embora permutas e parcerias pontuais ainda sejam predominantes, os dados da Wake indicam que os programas de afiliados já aparecem como uma das principais formas de monetização no marketing digital.

Esse movimento também estimulou o surgimento de novas ferramentas voltadas para aproximar marcas e criadores de conteúdo. 

No Brasil, por exemplo, iniciativas como o Ovni, aplicativo desenvolvido pela Empreender, surgiram com a proposta de facilitar a criação de campanhas com influenciadores e organizar parcerias entre lojas virtuais e criadores de conteúdo. Saiba mais:

Como funcionam as plataformas de afiliados?

No marketing de afiliados, empresas contam com parceiros para promover produtos ou serviços em diferentes canais digitais. Quando uma recomendação gera uma ação, como um clique, cadastro ou venda, o parceiro responsável recebe uma comissão previamente definida.

Esse sistema permite que marcas ampliem a divulgação de suas ofertas enquanto afiliados podem gerar renda promovendo produtos para suas audiências ou redes de contatos. Entre os principais participantes dessa estrutura estão:

  • Criadores de conteúdo e influenciadores
  • Blogs e sites de conteúdo
  • Sites de cupons e promoções
  • Programas de cashback e fidelidade
  • Sites de reviews e recomendações
  • Campanhas de e-mail marketing
  • Mídia e tráfego pago

Em muitos casos, essas parcerias acontecem dentro de ambientes que facilitam o encontro entre marcas e criadores. No Ovni, por exemplo, influenciadores podem visualizar campanhas disponíveis, avaliar se os produtos fazem sentido para sua audiência e se candidatar para divulgar as marcas.

Para que essas parcerias possam ser acompanhadas e remuneradas corretamente, as plataformas utilizam diferentes mecanismos tecnológicos que registram interações, atribuem vendas e mostram o desempenho das campanhas. Confira, a seguir, os principais recursos utilizados nesse processo.

Creator storefronts

Em muitos programas de afiliados, criadores de conteúdo utilizam creator storefronts, que funcionam como páginas onde reúnem produtos ou serviços que recomendam ao público.

Essas páginas atuam como uma espécie de vitrine digital. Em vez de divulgar links isolados, o criador pode concentrar suas recomendações em um único espaço, facilitando a navegação dos seguidores e aumentando as chances de conversão.

Nas plataformas que trabalham com influenciadores, a divulgação costuma acontecer por meio de conteúdos publicados nas redes sociais ou links rastreáveis associados a cada criador. 

Em ferramentas como o Ovni, cada campanha gera links individuais que permitem identificar quais influenciadores estão gerando visitas e vendas. Veja como é fácil:

Rastreamento de afiliados

Quando um usuário clica em um link afiliado ou acessa um produto a partir de uma recomendação, as plataformas utilizam tecnologias de rastreamento para registrar essa interação.

Esse processo pode envolver cookies, parâmetros de URL ou rastreamento server-side, permitindo identificar qual parceiro direcionou o visitante para a página do produto ou serviço.

Atribuição de cupons

Em alguns casos, a atribuição da venda acontece por meio de códigos promocionais. Se um criador divulga um cupom específico, por exemplo, “ANA10” ou “TECH15”, a plataforma consegue associar a compra ao parceiro responsável quando o cliente utiliza esse código durante a transação.

Esse método é comum em campanhas com influenciadores e creators, especialmente em redes sociais.

Relatórios e dashboards de desempenho

Depois que as interações e conversões são registradas, as plataformas disponibilizam relatórios e dashboards que consolidam os dados das campanhas. Esses painéis permitem acompanhar métricas como:

  • Número de cliques
  • Conversões geradas
  • Vendas atribuídas a cada parceiro
  • Comissões pagas

Para criadores e marcas, acompanhar o desempenho das campanhas é essencial. Algumas plataformas oferecem dashboards que mostram cliques, vendas e comissões geradas por cada parceria. 

No Ovni, essas métricas ficam disponíveis para que influenciadores acompanhem a performance das campanhas e as marcas avaliem quais parcerias estão trazendo melhores resultados. Inclusive, é possível criar uma página de afiliados direto na loja virtual. Veja:

No entanto, vale lembrar que o uso do marketing de afiliados não se limita a um único tipo de negócio. Na prática, esse modelo aparece em diferentes setores. Confira algumas possibilidades a seguir.

Quais setores utilizam marketing de afiliados?

Embora o marketing de afiliados tenha surgido ligado ao e-commerce, relatórios da Grand View Research mostram que empresas de diferentes segmentos utilizam essa estratégia para divulgar produtos e alcançar novos clientes.

Entre esses setores, bens de consumo se destacam como o principal nicho. Marcas de produtos como moda, beleza, eletrônicos e itens domésticos utilizam afiliados para ampliar a descoberta de produtos em diferentes canais online.

De acordo com a Grand View Research, esse segmento apresentou a maior participação em 2025, impulsionado principalmente pela força do e-commerce. 

O destaque está especialmente na promoção de produtos físicos, que continuam representando a maior fatia do mercado. Esse desempenho acompanha o crescimento das compras online, o avanço dos marketplaces e a adoção do marketing de afiliados por marcas de varejo e empresas D2C (direct-to-consumer) para aumentar as vendas.

Ao mesmo tempo, o estudo indica que produtos e serviços digitais também devem crescer mais rapidamente nos próximos anos. Plataformas de streaming, ferramentas SaaS, cursos de e-learning, aplicativos fintech e jogos online vêm utilizando programas de afiliados para atrair novos usuários em escala.

A integração entre plataformas de afiliados, sistemas de assinatura e pagamentos automatizados também tem melhorado a atribuição de conversões e o acompanhamento de resultados.

Além dessas categorias de produtos, programas de afiliados também são utilizados em diferentes setores da economia, como:

  • Bancos, serviços financeiros e seguros (BFSI): instituições financeiras utilizam afiliados para divulgar contas, cartões de crédito, seguros e produtos de investimento.
  • Transporte e mobilidade: companhias aéreas, serviços de aluguel de veículos e aplicativos de mobilidade utilizam afiliados para promover reservas e serviços de viagem.
  • Plataformas de investimento e trading: corretoras e plataformas que permitem negociar ações, criptomoedas ou outros ativos frequentemente trabalham com criadores de conteúdo e sites especializados para atrair novos investidores.
  • Hotelaria e turismo: hotéis, resorts e plataformas de reserva utilizam afiliados para aumentar a visibilidade de hospedagens e pacotes de viagem.
  • Corretoras multiativos: empresas que oferecem negociação de diferentes ativos financeiros em uma mesma plataforma, como ações, moedas, criptomoedas e commodities.
  • Saúde: serviços como telemedicina, plataformas médicas e aplicativos de saúde também utilizam afiliados para alcançar novos usuários.

Para que esse tipo de parceria funcione de forma sustentável, no entanto, é preciso definir como os parceiros serão remunerados pelas ações ou vendas que ajudam a gerar. É esse mecanismo de remuneração que estrutura a relação entre marcas e afiliados.

Embaixadores: plataforma de afiliados

Muitas empresas criam seus próprios programas para que afiliados possam divulgar produtos e receber comissões pelas vendas geradas.

Um exemplo é o programa Embaixadores da Empreender, voltado para quem deseja promover soluções para e-commerce e negócios online. 

Após o cadastro, o participante pode criar links personalizados de afiliado e passa a ganhar comissão recorrente sempre que uma venda é realizada por meio dele. Veja como é fácil:

O programa utiliza um sistema de níveis, onde os participantes começam com 10% de comissão e, conforme aumentam o volume de vendas, podem alcançar porcentagens maiores, como:

  • Mais de R$ 300 em vendas: 12% de comissão
  • Mais de R$ 2.500 em vendas: 16% de comissão
  • Mais de R$ 7.000 em vendas: 20% de comissão

Modelos de comissão no marketing de afiliados

Nos programas de afiliados, as parcerias entre empresas e divulgadores são estruturadas a partir de diferentes modelos de comissão, cada um associado a objetivos específicos, como geração de tráfego, captação de leads ou conversões em vendas.

Custo por clique (CPC)

No modelo de custo por clique, conhecido internacionalmente como Cost per Click (CPC), o afiliado recebe sempre que um usuário clica no link que leva ao site do anunciante.

Nesse formato, o foco está na geração de tráfego. A comissão é paga pelo clique, independentemente de o visitante realizar ou não uma compra depois de acessar a página.

Esse tipo de remuneração costuma aparecer em campanhas voltadas para ampliar a visibilidade de produtos, aumentar o alcance de conteúdos ou direcionar visitantes para páginas específicas.

Custo por venda (CPV)

No custo por venda, ou Cost per Sale (CPS), a comissão só é paga quando a venda realmente acontece.

Nesse caso, o afiliado é recompensado apenas quando a recomendação resulta em uma compra concluída. Por isso, esse formato é bastante comum em programas ligados a e-commerce, produtos digitais e serviços por assinatura.

Como o pagamento depende diretamente da conversão, muitas empresas preferem esse modelo quando querem associar o investimento em afiliados a resultados mais concretos de vendas.

Custo por lead (CPL)

Já no custo por lead, conhecido como Cost per Lead (CPL), a comissão é paga quando o afiliado gera um contato qualificado para a empresa.

Esse contato pode ser, por exemplo, um cadastro em um formulário, a inscrição em uma newsletter ou a solicitação de mais informações sobre um produto ou serviço.

Esse formato costuma aparecer em setores em que a venda não acontece imediatamente, como serviços financeiros, educação online, seguros ou softwares, em que o relacionamento com o cliente começa a partir do contato inicial.

Outros formatos de remuneração

Além dos modelos mais conhecidos, alguns programas também utilizam formatos adicionais, como RevShare (Revenue Share) ou participação na receita, em que o afiliado recebe uma porcentagem recorrente da receita gerada pelo cliente indicado.

Há também o CPA (Cost per Acquisition) ou custo por aquisição, onde a comissão é paga quando o usuário realiza uma ação específica, como criar uma conta ou iniciar um teste de serviço.

Essas variações costumam aparecer em plataformas que trabalham com produtos digitais e serviços de assinatura.

Plataformas de afiliados no cenário atual

Mais do que um conceito de marketing, as plataformas de afiliados representam uma forma concreta de conectar marcas, criadores de conteúdo e oportunidades de divulgação na internet.

Hoje, diferentes ferramentas ajudam a estruturar essas parcerias. No Brasil, por exemplo, o Ovni, aplicativo da Empreender, permite que influenciadores encontrem campanhas alinhadas ao seu público e que lojas virtuais organizem ações com criadores de conteúdo.

Para quem deseja atuar diretamente como afiliado, iniciativas como o programa Embaixadores, também da Empreender, mostram como é possível começar a promover produtos e receber comissões por meio de links personalizados.

Explorar essas ferramentas pode ser um primeiro passo para entender, na prática, como funcionam as plataformas de afiliação e as oportunidades que elas criam no mercado digital.