Há 13 anos, Graziela Costa participa de alguns dos momentos mais importantes da vida de centenas de famílias. Nascimentos, aniversários, casamentos e encontros especiais já passaram pelas mãos da artesã por meio de bordados, móbiles, portas maternidade e artigos criados especialmente para contar histórias.
Proprietária da Linda Lembrança, ela construiu uma trajetória marcada pelo cuidado com os detalhes e pela proximidade com os clientes.
Ao longo do tempo, essa ligação com a arte e os trabalhos manuais acabou se transformando em uma profissão construída peça por peça, sempre com a mesma proposta: criar algo que tenha significado para quem recebe.
Muito antes da primeira venda, da chegada ao Elo7 ou da recente migração para o Artesanou, a relação de Graziela com o artesanal já fazia parte da sua vida. Leia essa história inspiradora!
Entre tintas, bordados e histórias: as origens da Linda Lembrança

Embora hoje seja conhecida pelo trabalho artesanal desenvolvido na Linda Lembrança, a relação de Graziela Costa com a criatividade começou muitos anos antes da primeira encomenda.
Filha de professora, ela cresceu cercada por materiais que despertavam sua imaginação. Boa parte das lembranças da infância está ligada à escola onde a mãe trabalhava. Enquanto aguardava o fim das aulas, passava horas colorindo folhas impressas no mimeógrafo e escrevendo pequenas histórias no verso dos desenhos.
Em casa, o contato com trabalhos manuais também fazia parte da rotina. A avó Maria ensinava costura, bordado, pintura e outros conhecimentos artesanais transmitidos entre gerações da família.
O avô e o tio trabalhavam como sapateiros, e ela gostava de acompanhar cada etapa da produção, desde a escolha do couro até os acabamentos finais.
Ao recordar essa fase, Graziela percebe que os sinais sempre estiveram presentes. “O que eu sempre gostei mesmo, foi desenhar, pintar e escrever história.”
Apesar dessa ligação com a arte, escolheu cursar Agronomia. Em 2012, já no último ano da faculdade, trabalhava em um escritório ligado ao setor agrícola, mantendo contato diário com agricultores, cooperativas e comercialização de adubos.
O problema é que, quanto mais se aproximava da formatura, mais percebia que não conseguia se enxergar naquela profissão. Hoje, ao olhar para trás, costuma falar sobre essa escolha de forma bem-humorada: “Na verdade fui traída pelo teste vocacional aplicado no ensino médio anos antes.”
Mesmo sem se sentir realizada profissionalmente, ainda não sabia exatamente qual caminho seguir. A resposta apareceu de forma inesperada, a partir de um pequeno detalhe que carregava consigo todos os dias.
A encomenda que mudou os rumos da vida profissional de Graziela
Na época, Graziela tinha o costume de produzir algumas peças artesanais por hobby. Entre elas estava um pequeno chaveiro de ovelhinha preso à mochila.
Foi justamente essa peça que chamou a atenção de sua dentista, que estava esperando o primeiro filho. Encantada com o trabalho, a cliente perguntou se ela aceitaria produzir as lembrancinhas do bebê.
A encomenda passou a ocupar os momentos livres entre um expediente e outro no escritório. Sem imaginar o impacto que aquele pedido teria em sua vida, Graziela foi confeccionando os chaveiros aos poucos até concluir a entrega.
A reação da cliente acabou marcando o início de uma transformação importante. Segundo ela, a dentista contou que inicialmente havia ficado em dúvida porque já tinha visto outros trabalhos em feltro dos quais não gostou. Quando recebeu a encomenda, porém, ficou surpresa com a qualidade e o acabamento das peças.
O elogio teve um efeito que foi muito além da satisfação de entregar um trabalho bem-feito. Pela primeira vez, Graziela enxergou a possibilidade de transformar aquilo que fazia por prazer em uma profissão.
Ela lembra exatamente do que pensou naquele momento: “Aí foi que tive uma epifania, e finalmente pensei: ‘o que que eu tô fazendo aqui’.”
A partir disso, decidiu apostar mais seriamente no artesanal. Produziu novos chaveiros, apresentou o trabalho para lojas da cidade e conseguiu deixar algumas peças em consignação. Pouco tempo depois, recebeu a primeira encomenda.
Nesse mesmo período, o então namorado — hoje marido — encontrou o Elo7 e sugeriu que ela anunciasse seus produtos na plataforma.
Graziela cadastrou algumas peças e, alguns meses depois, realizou sua primeira venda online. Foi assim que começou a trajetória que a transformaria em artesã profissional e daria origem à Linda Lembrança como ela é conhecida hoje.


Quando a Linda Lembrança se transformou no principal trabalho da família
As vendas iniciais mostraram para Graziela que existia espaço para transformar o artesanato em algo maior. Mas, naquele momento, ela ainda estava aprendendo e descobrindo quais caminhos seguir dentro do segmento.
Uma das pessoas que mais contribuiu para esse processo foi Silvana, uma artesã da sua cidade que a convidou para trabalhar ao seu lado.
A experiência teve um papel importante na formação profissional de Graziela. Além de aprender novas técnicas, ela passou a observar detalhes de acabamento, organização e produção que dificilmente teria descoberto sozinha.
Ao lembrar daquela fase, faz questão de destacar o carinho que sente pela mentora: “A Silvana era um ser humano maravilhoso tanto quanto o seu trabalho.” Enquanto aprendia e ganhava experiência, a Linda Lembrança também começava a crescer.
Foi nesse período que Graziela tomou uma decisão que poucas pessoas teriam coragem de tomar: deixou a faculdade faltando apenas uma matéria para concluir o curso e passou a apostar definitivamente no artesanal.
Ao longo dos anos seguintes, a loja passou por diversas transformações. O catálogo mudou, novas técnicas foram incorporadas e diferentes materiais passaram a fazer parte da produção. Feltro, costura criativa, MDF, decoração de festas, móbiles e bordados ajudaram a construir a identidade que a marca possui hoje.
O crescimento da Linda Lembrança também coincidiu com um momento de inovação dentro da própria família.
Seu marido desenvolveu uma máquina de corte a laser, algo pouco comum na cidade naquela época. A novidade abriu novas possibilidades de criação e permitiu que os dois trabalhassem juntos em diversos projetos. Durante um período, a produção dessas peças se tornou a principal fonte de renda da família.
Com o aumento das encomendas, outras pessoas também passaram a participar da rotina da loja. A sogra ajudava com a costura, o sogro contribuía com trabalhos de marcenaria e o marido assumia naturalmente tudo o que envolvia tecnologia.


Por isso, Graziela criou um apelido que resume bem sua função dentro do negócio: “Ele é o encantador de máquinas.”
Em 2021, outra pessoa importante passou a fazer parte dessa história. Depois que sua mãe se tornou paciente renal e iniciou o tratamento de hemodiálise, as duas decidiram colocar à venda os amigurumis que ela já produzia havia anos.
A iniciativa trouxe resultados positivos financeiramente, mas teve um impacto ainda maior no dia a dia da família.
Segundo Graziela, o crochê se transformou em uma forma de manter a mente ocupada durante um período delicado. “Ela fala que fazer crochê é uma terapia, e é o que ajuda a manter os pensamentos em ordem.”
Ao longo de mais de uma década trabalhando com diferentes técnicas, materiais e produtos, Graziela aprendeu costura, bordado, aquarela e desenho. Mas existe uma frase da sua trajetória que ajuda a explicar um dos desafios que enfrentaria anos depois, com o encerramento do Elo7.
Como ela mesma resume: “Só não aprendi vender, porque dependia e confiava no trabalho que o marketplace fazia por mim.”
Essa confiança seria colocada à prova mais adiante. Antes disso, porém, a Linda Lembrança já havia se tornado algo muito maior do que uma simples loja artesanal.
A cada nova encomenda, Graziela percebia que não estava apenas produzindo peças personalizadas. Estava participando de capítulos importantes da vida de outras pessoas.



O bordado que fez Graziela enxergar o peso do próprio trabalho
Ao longo de 13 anos, centenas de histórias passaram pelas mãos de Graziela. Muitas delas começaram como uma simples conversa sobre cores, tecidos ou bordados, mas acabaram revelando significados muito mais profundos do que ela imaginava.
Uma das que mais a marcaram aconteceu durante a criação da porta-maternidade do pequeno João Miguel. A cliente, Carol, já conhecia seu trabalho e entrou em contato para encomendar um quadro bordado com passarinhos. O processo seguia normalmente até que começaram a surgir pedidos de alterações.
Primeiro foi a posição de um pássaro. Depois a direção do voo. Mais tarde vieram ajustes em outros detalhes aparentemente pequenos. Durante alguns dias, as duas seguiram refinando o desenho.
No início, Graziela acreditou que aquilo acontecia simplesmente porque a cliente era detalhista. Só depois entendeu o verdadeiro motivo.
Quando finalmente aprovou a arte, Carol explicou: “Agora está perfeito, essa foi a visão que eu tive do chamado pra ter mais um filho, menino.”

A revelação emocionou a artesã. Naquele momento, ela percebeu que não estava apenas produzindo uma peça decorativa para um quarto de bebê.
Estava ajudando uma mãe a transformar uma experiência profundamente pessoal em algo visível e permanente.
Ao recordar a situação, Graziela ainda demonstra emoção: “Fiquei tão emocionada, de pensar que o meu trabalho estava traduzindo um sonho de alguém, e como a minha responsabilidade era enorme, de tornar esse sonho visível e físico.”
A história de João Miguel não foi a única a mostrar como pequenos detalhes podem carregar grandes significados.
Uma cliente pediu que uma estrela fosse substituída por um oniguiri em um bordado. O motivo era simples e ao mesmo tempo especial: os irmãos chamavam o bebê de “grãozinho de arroz” desde o primeiro ultrassom.



Outra enviou o nome da filha, Alice, escrito pela irmã mais velha para que aquela caligrafia infantil fosse reproduzida no trabalho final.

Já a cliente Dayanna encomendou livros personalizados para que amigos e familiares deixassem mensagens para os filhos recém-nascidos.
Anos depois, ela contou para Graziela que o pai havia falecido e que aqueles registros se transformaram em uma das lembranças mais valiosas da família.
As mensagens que ele havia deixado para os netos ganharam um significado ainda mais profundo com o passar do tempo, tornando aqueles livros uma recordação física de alguém que já não estava presente.


Foi acompanhando histórias como essas que Graziela começou a compreender a dimensão do próprio trabalho. Mais do que criar peças artesanais, ela estava ajudando famílias a preservar lembranças que continuariam importantes por muitos anos.
“Somos feitos de memórias”: a filosofia da Linda Lembrança
As histórias que marcaram a trajetória de Graziela ajudam a explicar uma das principais características da Linda Lembrança.
Ao longo dos anos, ela percebeu que as pessoas não procuravam apenas um produto artesanal. Na maioria das vezes, estavam tentando representar um sentimento, homenagear alguém, registrar uma fase da vida ou transformar uma lembrança em algo que pudesse ser guardado.
Por isso, o atendimento sempre ocupou um papel tão importante dentro da marca. Desde o primeiro contato, Graziela procura entender o que existe por trás de cada encomenda. Antes de iniciar a produção, conversa detalhadamente com as clientes para definir estampas, cores, fontes, bordados, acabamentos e todos os elementos que irão compor a peça.


Além de evitar dúvidas durante a confecção, esse processo permite que cada criação realmente reflita a história que será representada. Como ela costuma dizer: “Se é um produto personalizado e ela não puder escolher, então não é personalizado.”
Com o passar do tempo, Graziela criou mostruários de estampas, aprendeu a fotografar amostras da forma mais fiel possível e passou a compartilhar imagens das etapas de produção para que as clientes acompanhassem o desenvolvimento das peças. Essa proximidade se tornou uma das marcas registradas da Linda Lembrança.
Segundo a artesã, muitas das pessoas que a procuram estão vivendo momentos de grandes transformações. Gestantes se preparam para a chegada de um filho. Noivas organizam os detalhes de um casamento. Famílias celebram aniversários e outras ocasiões especiais.





Em comum, todas carregam expectativas e emoções que nem sempre cabem em uma peça pronta de catálogo. Por isso, Graziela acredita que o trabalho artesanal permite algo que dificilmente seria reproduzido em uma produção em série.
“O público que procura por uma peça artesanal, e paga o seu valor, quer se ver nela, quer que essa peça seja especial para o contexto e o momento da vida em que será inserida, quer se sentir representado dentro da peça que escolhe.”
Foi justamente observando essa relação entre objetos, sentimentos e histórias que nasceu a frase que hoje resume a identidade da marca: “Somos feitos de memórias.”
O encerramento do Elo7 interrompeu uma rotina construída por 13 anos
Depois de construir boa parte da trajetória da Linda Lembrança dentro do Elo7, Graziela acreditava que estava vivendo mais uma fase positiva da loja.
Ela vinha de meses com muitos pedidos, encomendas de maior valor e bons resultados financeiros. Inclusive, havia realizado uma venda no dia anterior ao anúncio que pegou milhares de artesãos de surpresa. Por isso, a notícia sobre o encerramento da plataforma foi recebida com indignação.
Segundo Graziela, os comunicados mais recentes tratavam apenas de dificuldades relacionadas ao envio de mensagens e medidas de segurança após tentativas de invasão de contas. Nada indicava que o marketplace encerraria suas atividades. O sentimento inicial foi de revolta.
Para ela, o problema não foi apenas o fechamento em si, mas a forma como tudo aconteceu. “Acredito que faltou um aviso prévio, um mínimo de respeito por tanta gente que tinha seu dia a dia de vendas na plataforma.”
Depois de 13 anos anunciando seus produtos no Elo7, a sensação era de que uma parte importante da sua rotina havia desaparecido de uma hora para outra.
Ao mesmo tempo, surgia uma preocupação ainda maior: como preservar tudo aquilo que havia sido construído ao longo de mais de uma década de trabalho.
Como a Linda Lembrança preservou 724 histórias após o fim do Elo7
Nos dias que seguiram o encerramento da plataforma, Graziela passou a buscar informações sobre o que fazer dali para frente.
Foi então que o marido lhe enviou um vídeo do Bruno Brito, CEO da Empreender, comentando alternativas para os lojistas afetados pela mudança.
A primeira reação foi de desconfiança. “Achei que seria mais alguém vendendo curso.” Mesmo assim, decidiu entrar no grupo criado para reunir ex-lojistas do Elo7 e acompanhar as discussões.
Foi nesse espaço que descobriu a possibilidade de migrar produtos e avaliações para o Artesanou. Para ela, recuperar esse histórico era uma das prioridades daquele momento.
As avaliações representavam muito mais do que notas ou comentários. Representavam anos de trabalho. “São 724 histórias que o Elo7 simplesmente ignorou.”
A migração aconteceu rapidamente, mas o que mais marcou Graziela foi o apoio que encontrou dentro da comunidade criada após o encerramento da plataforma.
Segundo ela, os primeiros dias foram emocionalmente difíceis para muitos artesãos. “Teve gente que chorou, que se revoltou, que não sabia o que fazer, que não sabia como trabalhar com a ferramenta de migração.”
Mesmo assim, pessoas que nunca haviam se encontrado pessoalmente passaram a compartilhar informações, responder dúvidas e ajudar umas às outras.
Graziela faz questão de destacar esse espírito de colaboração. Ela conta que viu artesãos que até poderiam ser considerados concorrentes trabalhando juntos para superar aquele momento.
Também elogia o suporte recebido durante a adaptação ao Artesanou, especialmente pela proximidade da equipe com os lojistas e pela abertura para ouvir sugestões de melhorias.
Para quem havia acabado de perder o principal canal de vendas após 13 anos, encontrar esse acolhimento fez toda a diferença.


A principal lição que a Linda Lembrança leva para o futuro
Passado o impacto inicial, Graziela começou a olhar para a situação sob uma nova perspectiva. Assim como aconteceu em outros momentos importantes da sua trajetória, decidiu encarar a mudança como uma oportunidade para reorganizar planos e revisar estratégias.
Uma das primeiras medidas foi atualizar a identidade visual da marca. Ao mesmo tempo, passou a revisar produtos, reorganizar o catálogo e planejar novos canais de divulgação e venda.
A experiência também trouxe uma reflexão importante. Segundo ela, uma das maiores lições deixadas pelo encerramento do Elo7 foi a necessidade de não depender de apenas uma plataforma.
“Se há uma lição unânime entre todos os lojistas é a de que não podemos depender de um só local de vendas.” Essa percepção levou Graziela a enxergar o negócio de forma ainda mais estratégica.
Ao longo dos anos, ela aprendeu costura, bordado, desenho, aquarela e diversas outras técnicas ligadas à produção artesanal. Mas acredita que a experiência recente deixou uma lição importante para muitos profissionais do setor.
Segundo Graziela, os artesãos costumam se apaixonar pela criação, pelos materiais e pelas infinitas possibilidades que o trabalho manual oferece. Porém, muitas vezes acabam deixando em segundo plano aspectos como vendas, gestão, organização financeira e planejamento do negócio.
Para ela, enxergar o artesanal também como empresa passou a ser uma necessidade. Em meio a todas essas mudanças, uma frase compartilhada por outro artesão no grupo acabou resumindo o sentimento de muitas pessoas que precisaram recomeçar:
“Não perdemos nosso talento, perdemos apenas uma ferramenta de venda.” Para Graziela, essa mensagem faz sentido porque a essência da Linda Lembrança nunca esteve em uma plataforma específica.
Ela está nas histórias que ajudou a contar, nos sonhos que ajudou a representar e nas memórias que continuam acompanhando centenas de famílias mesmo depois de 13 anos de trajetória. Conheça a loja Linda Lembrança!










