Uma agência de e-commerce pode ajudar desde a criação de uma loja virtual até a migração de plataforma, implantação de sistemas e desenvolvimento de melhorias para o negócio. Mas o que faz esse tipo de empresa, como funciona seu trabalho e como ela ganha dinheiro? É isso que você vai descobrir neste artigo.
Para isso, reunimos os aprendizados compartilhados por Mateus Toledo, fundador da MT Soluções, e Isaac Scheffer, fundador da Istoria, em entrevistas ao Embaixadores Podcast.
Além da criação de lojas virtuais: o papel das agências e especialistas em e-commerce
Criar uma loja virtual costuma ser a tarefa mais associada às agências de e-commerce, mas esse é apenas um dos trabalhos que elas podem realizar.
Dependendo da especialidade da empresa, uma agência pode acompanhar diferentes momentos da jornada de um lojista, desde a escolha da plataforma até a implantação de novas tecnologias para apoiar o crescimento do negócio. Entre os serviços mais comuns estão:
- Criar uma loja virtual: desde o layout até a configuração da plataforma para que a loja esteja pronta para vender.
- Migrar uma loja para outra plataforma: quando a empresa decide trocar de sistema sem perder informações importantes, como produtos, clientes e pedidos.
- Conectar diferentes ferramentas: integrar a loja com ERP, meios de pagamento, sistemas de frete, marketplaces e outras soluções usadas pela empresa.
- Desenvolver recursos sob medida: criar funcionalidades que a plataforma não oferece nativamente ou adaptar processos específicos do negócio.
- Orientar o lojista: ajudar na escolha de plataformas, sistemas e processos mais adequados para o momento da empresa.
Depois disso, surge uma pergunta: como agências que fazem “a mesma coisa” podem entregar resultados completamente diferentes? A resposta está na forma como cada uma constrói seu conhecimento.
Durante sua participação no Embaixadores Podcast, Isaac Scheffer conta que decidiu criar a mesma loja em sete plataformas de e-commerce antes de escolher onde iria atuar.
A ideia era conhecer os recursos, limitações e possibilidades de cada plataforma na prática. Como ele lembra, “aprendi fazendo, tipo, madrugando mesmo.”
Foi essa experiência que levou a Istoria a concentrar seus projetos na Shopify e a desenvolver um conhecimento aprofundado sobre a plataforma. Ao explicar a origem do nome da agência, Isaac também deixa claro como enxerga esse trabalho: “a gente escreve novos capítulos na história dos nossos clientes.”
No episódio com Mateus Toledo, ele explica que as demandas da agência deixaram de ser apenas a criação de uma loja virtual e passaram a envolver integrações, ERPs e processos internos.
Essa mudança fez a MT Soluções ampliar sua atuação para resolver desafios que surgiam depois que a loja já estava vendendo. Como ele resume durante o podcast, “o software é o meio, não o fim”. Confira na íntegra:
Como uma agência de e-commerce identifica a melhor solução para cada loja?
Encontrar a solução para uma loja virtual não significa apenas conhecer plataformas ou ferramentas. Para Mateus Toledo, o ponto de partida está nas perguntas feitas ao cliente.
Ao longo da conversa, ele explica que passou a perceber que muitas empresas apresentavam uma demanda específica, mas, durante a análise, surgiam outros fatores que influenciavam a decisão sobre qual caminho seguir.
Essa avaliação permite compreender a realidade da empresa antes de recomendar qualquer mudança. Em alguns casos, o desafio pode estar na forma como o estoque é organizado, no fluxo dos pedidos ou até na divisão das tarefas da equipe.
Por isso, Mateus afirma que o trabalho da agência vai além da implantação de ferramentas: “A gente quer ser um parceiro do cliente para poder ajudar ele no dia a dia.”
Isaac Scheffer compartilha uma visão semelhante ao falar sobre a escolha das tecnologias utilizadas em cada projeto. Durante o podcast, ele explica que conhecer diferentes plataformas permitiu entender onde cada uma entrega mais valor, evitando recomendações baseadas apenas em preferência pessoal.
“A melhor na época para mim era a mais barata. Hoje a plataforma mais barata é a melhor? Não. Então depende muito do contexto da pessoa”, diz o fundador da Agência Istoria.
Na prática, isso significa que o trabalho de uma agência envolve muito mais do que executar uma solicitação. A análise do cenário, dos objetivos da empresa e das limitações existentes ajuda a definir quais soluções fazem sentido naquele momento, reduzindo retrabalho e entregando as decisões mais estratégicas. Assista ao episódio completo:
O trabalho da agência de e-commerce continua depois que a loja entra no ar
Nem todas as demandas de uma loja virtual aparecem no momento da implantação. Em muitos casos, elas só surgem quando o negócio começa a enfrentar situações que não existiam no início, exigindo novas soluções e ajustes ao longo do caminho.
É esse cenário que Mateus Toledo acompanha na MT Soluções. Segundo ele, algumas lojas passaram de faturamentos próximos de R$ 1 mil para R$ 300 mil, R$ 1 milhão e até R$ 2 milhões em pouco tempo. O crescimento, porém, trouxe um desafio inesperado: manter a organização para sustentar esse novo momento.
Como explica Mateus: “Muitos lojistas viam ERP só para emitir nota fiscal. […] A gente conseguiu traduzir durante muito tempo que não era só isso, ia muito além.”
Na Istoria, Isaac Scheffer conta que esse acompanhamento também faz parte da rotina da agência. Em um dos casos citados durante o podcast, ele conta: “a gente entrou para fazer uma auditoria e acabou desenvolvendo um projeto de mais de R$ 100 mil.”
O diagnóstico da Istoria identificou oportunidades de melhoria que deram origem a um projeto muito maior do que o planejado inicialmente.
Os resultados desse trabalho nem sempre aparecem apenas em indicadores ou no faturamento. Mateus relembra o caso de um cliente que reorganizou o estoque e recebeu um agradecimento inesperado de um colaborador:
“Cara, quero te agradecer muito, do fundo do meu coração, porque hoje eu consigo chegar em casa e brincar com a minha filha. […] Tá organizado, eu não preciso mais contar estoque.”
Esses exemplos mostram que o trabalho de uma agência pode continuar por muito tempo. Conforme novos desafios surgem, a parceria com a loja virtual evolui para atender necessidades que acompanham o desenvolvimento do negócio.
Como uma agência de e-commerce ganha dinheiro
O faturamento de uma agência de e-commerce não depende apenas da quantidade de projetos fechados. A reputação construída ao longo do tempo também influencia diretamente a capacidade de conquistar novos clientes e participar de projetos maiores.
Isaac Scheffer afirma que esse cuidado começa antes mesmo da assinatura do contrato. Durante o Embaixadores Podcast, ele conta: “Eu prefiro perder dinheiro do que vender e não entregar, ou entregar um projeto ruim.”
Essa postura ajuda a entender por que muitas agências conseguem crescer sem depender apenas de novos clientes. Um projeto bem executado pode gerar novas demandas, indicações e relações de longo prazo, enquanto uma entrega mal feita compromete a confiança construída com o mercado.
Outro fator destacado por Isaac é a especialização. Quanto mais raro é o conhecimento necessário para resolver determinado problema, maior tende a ser o valor percebido pelo cliente: “Quando tu se torna especialista em algo e o mercado tem uma falta de profissionais, tu pode cobrar mais caro.”
Essa combinação entre qualidade na entrega, reputação e conhecimento especializado explica por que duas agências podem oferecer serviços parecidos, mas alcançar resultados e níveis de faturamento bastante diferentes.
Mateus Toledo resume essa lógica ao afirmar que: “muitas vezes não está sendo contratado um projeto. O que está sendo contratado é uma mudança de atitude da empresa.”
Quando uma agência de e-commerce entrega esse tipo de resultado, o valor percebido deixa de estar apenas na execução técnica e passa a incluir o conhecimento aplicado ao negócio.
Vale a pena abrir uma agência de e-commerce?
As histórias de Isaac Scheffer e Mateus Toledo mostram que não existe um único caminho para construir uma agência de e-commerce, mas existe um ponto em comum entre elas: o conhecimento vem antes do crescimento.
Isaac começou estudando plataformas por conta própria, testando recursos e aprendendo na prática antes mesmo de conquistar os primeiros clientes.
Mateus também construiu a MT Soluções ampliando continuamente seu repertório, passando por meios de pagamento, plataformas, ERPs, gestão e diferentes áreas do comércio eletrônico.
Esse aprendizado contínuo também aparece em uma frase de Mateus que resume bem a forma como ele enxerga o mercado: “Conhecimento é muito diferente. É muito diferente. É o nível de bagagem que a gente tem.”
Isaac reforça a mesma ideia ao contar que preferia aprender cada plataforma na prática, mesmo que isso significasse dedicar noites inteiras aos estudos.
As trajetórias de Isaac Scheffer e Mateus Toledo mostram que ferramentas mudam, plataformas evoluem e novas tecnologias surgem. O que permanece é a capacidade de aprender continuamente, conquistar a confiança dos clientes e transformar esse conhecimento em resultados para os lojistas.
Para quem pretende abrir uma agência de e-commerce, esse talvez seja o principal aprendizado dos dois convidados. Inscreva-se no canal da Empreender e acompanhe os próximos episódios do Embaixadores Podcast.










