Quem administra uma loja virtual sabe que investir em tecnologia faz parte da rotina. No Embaixadores Podcast, da Empreender, Mateus Toledo, fundador da MT Soluções, mostra que os melhores resultados não começam pela ferramenta, mas pela organização da empresa.
Com histórias de consultorias, exemplos do cotidiano e reflexões construídas em mais de 14 anos de atuação no mercado, este episódio mostra porque muitos desafios do e-commerce têm menos relação com tecnologia e mais com processos, pessoas e gestão.
Por que a tecnologia não resolve a falta de processos no e-commerce?
É comum associar o sucesso de uma loja virtual à adoção de novas ferramentas. Afinal, existem plataformas, aplicativos e automações capazes de tornar o dia a dia mais ágil. O problema é acreditar que a tecnologia, sozinha, consegue colocar a casa em ordem.
Durante o Embaixadores Podcast, Mateus Toledo resume essa ideia em uma frase que se repete ao longo da conversa: “a tecnologia acelera um processo bom e também acelera um processo ruim. O processo tem começo, meio e fim. Você precisa ter formas de controle disso.”
Isso significa que, quando a empresa já tem uma rotina bem estruturada, os resultados tendem a aparecer mais rapidamente. Mas, se existem falhas, elas também passam a acontecer com mais velocidade.
Para ilustrar essa situação, Mateus relembra empresas que conseguiram aumentar as vendas sem organizar processos básicos, como controle de estoque, acompanhamento financeiro ou definição clara das atividades do dia a dia.
Na tentativa de resolver esses problemas, muitos empresários acabam investindo em novas ferramentas, embora a causa continue sendo a mesma.
Para Mateus, a tecnologia deve entrar no momento certo. Antes dela, é preciso definir como o negócio funciona, quem é responsável por cada etapa e quais critérios serão usados para acompanhar o trabalho.
Só então faz sentido automatizar tarefas, integrar sistemas e ganhar produtividade. “Você tá preparado para vender muito?”, ele provoca. Confira o episódio na íntegra:
Antes de escolher uma ferramenta para sua loja virtual, entenda o problema
Quem observa apenas o resultado de um problema costuma chegar à solução errada. Para Mateus Toledo, entender o que acontece nos bastidores da loja virtual é uma etapa indispensável antes de decidir por uma nova plataforma, aplicativo ou serviço.
Por isso, antes de pensar em tecnologia, é preciso observar como a empresa funciona, ouvir as pessoas envolvidas e identificar onde está o gargalo.
Durante o podcast, Mateus compara esse trabalho ao de um mágico: “não me importa muito a pergunta, me importa a resposta e me importa muitas vezes o sentimento”, porque é ali que aparecem os sinais de que algo não está funcionando como deveria.
Ele cita o caso de uma reunião em que todos discutiam uma solução tecnológica. À primeira vista, parecia que o desafio estava relacionado ao sistema utilizado. No entanto, ao acompanhar a conversa, percebeu que as equipes de marketing e tecnologia sequer conseguiam chegar a um consenso.
Antes de recomendar qualquer ferramenta, foi necessário resolver esse desencontro e definir um processo de trabalho entre os times. Isso mostra que, muitas vezes, o problema atribuído à tecnologia nasce de falhas de alinhamento entre pessoas ou processos.
Essa lógica pode ser aplicada a qualquer loja virtual. Se os pedidos atrasam, por exemplo, vale investigar se o problema está na plataforma ou na separação dos produtos.
Se o atendimento demora, a causa pode estar na distribuição das tarefas e não no sistema de atendimento.
Já uma queda nas vendas pode ter origem no mix de produtos, no preço ou no marketing, e não necessariamente no e-commerce.
O episódio reforça que escolher uma ferramenta é apenas parte da decisão. Por isso, antes de investir em uma nova ferramenta, o primeiro passo é responder a uma pergunta simples: qual problema ela deve resolver?
Quando o diagnóstico está correto, a tecnologia deixa de ser uma aposta e passa a atender a uma necessidade real do lojista.
Como pequenas mudanças podem melhorar a gestão de um e-commerce
Nem toda melhoria exige um grande investimento ou uma mudança completa na empresa. Em muitos casos, um ajuste simples pode eliminar tarefas repetitivas, economizar tempo e facilitar o trabalho da equipe.
Mateus Toledo conta que costuma começar esse trabalho conversando com quem executa as tarefas diariamente. Em uma dessas visitas, perguntou aos colaboradores quais eram as maiores dificuldades da rotina.
A resposta chamou sua atenção: toda vez que alguém precisava buscar produtos no depósito, era necessário abrir e fechar uma porta que separava dois ambientes. A sugestão foi direta: retirar a porta.
A mudança foi feita ainda naquele dia e mostrou como um obstáculo considerado “normal” fazia parte da rotina sem que ninguém o questionasse. Como resume Mateus, “pequenas mudanças fazem muita, muita diferença na vida das pessoas”.
Ele também relembra a história de uma empresa que controlava o momento de repor o estoque usando apenas uma linha amarela pintada na prateleira.
Quando a mercadoria passava daquela marca, era hora de fazer um novo pedido ao fornecedor. Embora a solução funcionasse até certo ponto, ela também indicava que os processos precisavam evoluir junto com o crescimento da empresa.
Para Mateus, melhorias como essas só aparecem quando alguém dedica tempo para observar a rotina da empresa e ouvir quem convive diariamente com ela.
São essas pessoas que convivem com os gargalos e, muitas vezes, já sabem quais mudanças podem tornar o trabalho mais simples.
O principal aprendizado para os lojistas é que eficiência não depende apenas de grandes projetos ou novas tecnologias. Muitas vezes, os melhores resultados começam com pequenas correções que tornam o dia a dia mais organizado, reduzem desperdícios e permitem que a equipe trabalhe melhor.
Como a MT Soluções utiliza a inteligência artificial no dia a dia?
Embora a inteligência artificial esteja cada vez mais presente no e-commerce, Mateus Toledo faz um alerta: ela não substitui conhecimento, organização ou tomada de decisão.
Para ele, a IA deve ser usada para acelerar tarefas específicas, permitindo que as pessoas dediquem mais tempo ao que realmente exige análise e criatividade.
Um dos exemplos mais curiosos citados durante o podcast acontece dentro da própria MT Soluções. Sempre que recebe um e-mail em um momento de irritação, Mateus recorre à inteligência artificial para revisar a resposta antes de enviá-la. Como ele brinca, a IA serve para “tirar raiva”.
O comando também é direto: “me ajude a tirar toda a raiva e todo o sentimento negativo desse e-mail. Vamos pegar aqui o que importa.”
Ao mesmo tempo, ele faz um alerta para quem acredita que a IA resolverá problemas de gestão. Segundo Mateus, muitas empresas querem implantar novas tecnologias sem saber exatamente o que desejam acompanhar ou melhorar.
Durante a conversa, ele resume essa situação com uma analogia simples: “Se eu te falar: ‘Lucas, me traz umas garrafas de água’, você vai falar: ‘Mateus, pra quê que você quer? Você vai correr uma maratona? Você vai correr cinco quilômetros? Você vai caminhar? Você vai ficar no escritório de boa?’ Minimamente você tem que saber.”
A lógica é a mesma para a inteligência artificial. Antes de pedir que ela gere análises, automatize tarefas ou produza conteúdos, a empresa precisa definir quais informações são importantes e quais resultados pretende alcançar.
Caso contrário, a tecnologia apenas entrega respostas para perguntas que nunca foram bem formuladas: “Se você não sabe o que quer medir, o que você vai medir?”
Essa visão reforça um ponto defendido por Mateus desde o início da entrevista: a inteligência artificial tende a entregar melhores resultados quando existe clareza sobre o que precisa ser resolvido. Sem esse direcionamento, mesmo as ferramentas mais avançadas dificilmente conseguem gerar valor para o negócio.
Por que criatividade faz diferença nas vendas online?
“Criatividade é uma habilidade treinável.” Essa é uma das ideias defendidas por Mateus Toledo ao longo do podcast. Para ele, muitas empresas deixam de encontrar boas soluções porque procuram criar algo completamente inédito, quando, na verdade, inovar costuma significar observar referências, conectar ideias e adaptá-las para uma nova realidade.
Durante a conversa, ele explica que costuma incentivar os clientes a formar um “time criativo” dentro da empresa. Mas faz questão de esclarecer que não está falando de produzir artes ou campanhas publicitárias.
A ideia é reunir pessoas capazes de observar o dia a dia e fazer perguntas como: “Qual é a mudança de chave? Como eu consigo fazer mais com menos?”
Na visão dele, esse olhar faz diferença porque a criatividade surge onde existe espaço para experimentar. Ao comentar as ações que mais chamam sua atenção, Mateus cita pequenas lojas do interior que conseguem conquistar milhares de visualizações nas redes sociais usando bom humor e autenticidade.
Como ele descreve, são comerciantes “se jogando, sendo atropelados, tomando banho de água, baldada na cara”, criando conteúdos que se destacam justamente por fugir do óbvio.
Durante a conversa, ele ilustra esse raciocínio com um exemplo simples. Um restaurante decidiu servir chopp em uma taça de vinho. O produto continuava exatamente o mesmo, mas a percepção do cliente mudava completamente.
Para Mateus, esse exercício vale para qualquer negócio. Em vez de esperar uma ideia revolucionária, o empreendedor pode observar soluções que funcionam em outros mercados e perguntar como elas poderiam ser adaptadas ao seu próprio contexto.
É dessa combinação de referências que surgem muitas das mudanças que fazem diferença no dia a dia. No e-commerce, isso pode aparecer de várias formas: uma maneira diferente de apresentar um produto, uma nova organização da vitrine, uma campanha inspirada em outro segmento ou até uma pequena mudança na jornada de compra.
A principal lição é que criatividade não depende de grandes orçamentos e não nasce do acaso, mas da disposição para observar, experimentar e enxergar possibilidades onde outras empresas continuam fazendo tudo da mesma forma.
O que os lojistas podem aprender com Mateus Toledo
Ao longo do episódio, Mateus Toledo compartilha histórias e exemplos de diferentes segmentos, mas todos apontam para uma mesma direção: o crescimento de um e-commerce acontece quando tecnologia, processos e pessoas evoluem juntos.
Independentemente do porte da empresa, alguns princípios aparecem como fundamentais para crescer de forma mais organizada. Para quem administra uma loja virtual, o segundo episódio do Embaixadores Podcast deixa alguns pontos para reflexão:
- Processos: nenhuma plataforma ou ferramenta consegue corrigir processos que ainda não existem.
- Melhoria contínua: muitas mudanças começam ao ouvir quem vive a rotina da empresa e eliminar pequenos obstáculos do dia a dia.
- Intencionalidade: a inteligência artificial entrega melhores resultados quando existe um objetivo claro. Antes de automatizar tarefas, é preciso saber quais problemas precisam ser resolvidos.
- Criatividade: pensar em novas formas de vender, atender ou apresentar um produto costuma gerar mais resultado do que apenas aumentar o investimento em mídia.
- Preparação: crescer de forma sustentável significa preparar a estrutura para acompanhar o aumento das vendas.
Mais do que apresentar fórmulas prontas, este episódio do Embaixadores Podcast mostra que administrar um e-commerce exige olhar para o negócio de forma integrada.
Processos bem definidos, pessoas capacitadas e tecnologia trabalhando a favor da empresa continuam sendo a combinação que sustenta o crescimento no longo prazo. Inscreva-se no canal da Empreender e acompanhe os próximos episódios.










