Empreender com produtos artesanais exige coragem para mudar, disposição para aprender e persistência para continuar quando os planos precisam ser refeitos. A história de Daisy Matos reúne esses elementos em um caminho construído entre trabalho, criatividade e família.
À frente da Imaginaçúcar Confeitos, Daisy encontrou nos apliques de pasta americana uma maneira de transformar o que sabe fazer em um negócio que atravessa diferentes momentos de sua vida. Conheça um pouco dessa trajetória.
Como Daisy começou a fazer doces em casa
“Minha jornada com a confeitaria começou em 2009, quando eu fiz a loucura de pedir demissão do meu emprego para trabalhar em casa, fazendo doces para festas.” Daisy trabalhava há 15 anos com Gestão de Pessoas, mas estava insatisfeita com a rotina da CLT e com os horários rígidos.
A decisão também estava ligada à família. Sua filha tinha apenas 2 anos e ficava 12 horas na creche desde os 4 meses de idade. Daisy queria estar mais presente e recuperar momentos do desenvolvimento da filha que havia perdido.
Depois de alguns meses de pesquisa, encontrou na confeitaria algo de que gostava e criou O Mundo dos Cupcakes. No início, produzia cupcakes e chocolates decorados com pasta americana.

Daisy já acompanhava os movimentos da internet e buscava diferentes maneiras de vender. Anunciava no Orkut e no Facebook, tinha um site próprio e participou do boom dos grupos de compra coletiva. Em 2011, abriu sua loja no Elo7 e começou a enviar chocolates pelos Correios.
“Lembro que fui uma das primeiras lojas de doces artesanais da plataforma.” Foi ali que apareceu uma demanda que mudaria o caminho do negócio: os clientes queriam comprar somente os apliques de açúcar, sem os doces.
Daisy decidiu atender aos pedidos e passou a vender as decorações em pasta americana separadamente. Segundo ela, ninguém vendia somente esse tipo de decoração no Elo7 naquele momento. A novidade trouxe muitos clientes, fez a loja começar a vender para todo o país e levou a um crescimento exponencial do negócio.
Dos cupcakes aos apliques de pasta americana
Em 2020, a pandemia trouxe outra mudança. Daisy decidiu parar de produzir doces e chocolates e concentrar o trabalho nos apliques de pasta americana.
“Nasceu então a Imaginaçúcar Confeitos. Uma marca do zero, mas com todo o conhecimento e bagagem de 16 anos de confeitaria e produção artesanal.”



A partir daí, o trabalho passou a se concentrar nos detalhes que compõem cada festa. Daisy conversa com o cliente sobre os tamanhos dos apliques, o tema, as cores e as referências da comemoração. Também observa elementos como os brindes, o bolo e a decoração da mesa para criar peças que combinem com o conjunto.




Alguns clientes chegam com cada detalhe definido. Outros preferem deixar a criação mais livre. Em todos os casos, Daisy busca deixar claro antes da compra o que será entregue.
“A comunicação é essencial. Essa troca inicial com o cliente deixa ele seguro e me deixa confiante para produzir tudo com calma e atenção em cada detalhe.”
Mesmo com muitos pedidos e temas diferentes acontecendo simultaneamente, ela faz questão de manter o mesmo padrão de qualidade, acabamento e precisão.
Os clientes costumam elogiar justamente esses aspectos: a qualidade do que recebem, o acabamento, a simetria dos apliques e as cores vivas. Daisy também afirma que está sempre disposta a corrigir falhas e melhorar o trabalho.
Quando os clientes passaram a fazer parte da história da Imaginaçúcar Confeitos
Alguns pedidos ultrapassaram a relação entre cliente e loja. Daisy conta que tem clientes que a acompanham há tantos anos que ela viu seus filhos crescerem.
“Eu fiz doces pro chá de bebê, acompanhei toda a infância e agora fiz apliques para os 15 anos.” Em alguns casos, os irmãos também nasceram e passaram a fazer parte dessa história, com novos pedidos para as festas da família.
As fotos que recebe depois das comemorações também têm um significado especial. Daisy vê os doces decorados com seus apliques e diz que é como se estivesse presente na festa.
“Isso não tem preço que pague.” A lembrança desses clientes chega a emocioná-la quando pensa em tudo o que construiu.






Para Daisy, esse vínculo também está relacionado ao cuidado durante o atendimento. Ela acredita que ouvir cada pessoa e entender o que ela precisa faz diferença, principalmente em um cenário de atendimentos cada vez mais mediados por inteligência artificial.
A disponibilidade para conversar, a atenção aos detalhes e a flexibilidade para criar diferentes propostas fazem parte do modo como conduz os pedidos, independentemente do tamanho da encomenda.
O fim do Elo7 e o caminho até o Artesanou
O encerramento do Elo7 foi doloroso para Daisy. Ela tinha uma loja na plataforma desde 2010 e conta que seus maiores clientes vieram de lá.
“Sou tão grata a essa plataforma. Meio que crescemos juntos.” Para ela, o Elo7 havia formado uma comunidade de pessoas que valorizavam o trabalho artesanal e reconheciam o valor das peças.
Por isso, ver avaliações, fotos e outros registros desaparecerem tornou o encerramento ainda mais difícil. Depois do choque inicial, veio a preocupação com o futuro: “E agora? Para onde vou e como resgatar esses clientes?”
Daisy já vendia por outros canais, mas perdeu uma parte importante do faturamento. A possibilidade de passar por uma situação semelhante em outras plataformas também trouxe insegurança.
Foi durante a busca por notícias sobre o fim do Elo7 que ela conheceu o Artesanou. Daisy encontrou um vídeo de Bruno Brito, CEO da Empreender, no YouTube e decidiu conhecer a plataforma.
“O Artesanou veio como uma luz no fim do túnel.” O processo de migração, segundo ela, foi fácil e contou com suporte. “De medo passamos a ter esperança.”
Um dia de cada vez, mas sempre construindo
A mudança também fez Daisy rever a maneira de olhar para os próximos passos. Ela afirma que o processo a deixou mais forte e que passou a trabalhar com metas realistas e de longo prazo.
“Agora, nessa nova fase, tenho a ciência que é um dia de cada vez.” Para ela, empreender significa saber que outros obstáculos ainda podem aparecer e seguir construindo mesmo diante deles.
Quando pensa em outros artesãos que também estão passando por mudanças, sua recomendação é direta: “Paciência e resiliência. Não se afobar, não se desesperar, que tudo vai ficar bem.”
Daisy também sugere aproveitar o período para organizar os processos de produção, atualizar fotos e portfólios e preparar produtos para pronta entrega. E já deixa um lembrete: “Olha o Natal chegando… Tenho certeza de que sairemos mais fortes e mais poderosos disso tudo. ”

Sua própria história mostra por que ela defende continuar tentando e construindo. O trabalho artesanal se tornou a principal fonte de renda da família, e seu marido também deixou a CLT para trabalhar com ela.

Durante a pandemia, quando as festas ficaram menores e passaram a acontecer dentro de casa, os confeitos continuaram sendo vendidos. “Os confeitos de açúcar nos salvaram!”
Mas, para Daisy, o significado desse trabalho vai além da renda. “O artesanal me deu algo que eu não tinha trabalhando em escritório… Tempo em Família.” A filha, que tinha 2 anos quando ela deixou o emprego, hoje está na faculdade. Agora, Daisy também consegue dedicar tempo aos cuidados com a mãe, que tem Alzheimer.
Quase duas décadas depois do primeiro passo na confeitaria, a Imaginaçúcar Confeitos segue com os apliques de pasta americana e uma história construída entre mudanças, trabalho e família.
Quer conhecer o trabalho da Daisy de perto? Visite a loja Imaginaçúcar Confeitos no Artesanou e veja suas criações disponíveis para encomenda.










