Quem é Bruno Brito? Conheça a trajetória do cofundador da Empreender

Bruno Felipe Brito é cofundador e CEO da Empreender, criada em 2009 e responsável pelo desenvolvimento de um ecossistema com mais de 20 aplicativos para diferentes etapas do e-commerce, como atendimento, automação, marketing, logística e vendas. 

Antes disso, ele passou pela televisão, trabalhou com tecnologia em empresas internacionais e criou projetos que, junto às experiências profissionais, ajudaram a definir a forma como empreende até hoje. Conheça os principais momentos dessa jornada.

Como Bruno Brito começou a empreender?

Muito antes de desenvolver aplicativos para e-commerce, Bruno trabalhava na televisão. Formado em Rádio e TV, iniciou a carreira como estagiário na Rede Record, onde participou da produção de programas como o Show do Tom. 

Depois, recebeu uma oportunidade para trabalhar na Record Portugal e, ao retornar ao Brasil, também integrou a equipe do programa Miss Brasil na Bandeirantes.

Embora a comunicação pareça distante da tecnologia, Bruno costuma dizer que foi nesse período que desenvolveu uma habilidade que levaria para toda a carreira: entender pessoas

A rotina na televisão exigia conversar com diferentes perfis, encontrar respostas rápidas e lidar com situações inesperadas, experiências que mais tarde influenciariam sua forma de liderar equipes e desenvolver novos projetos.

Foi também enquanto trabalhava na Record que o empreendedorismo começou a ganhar espaço na sua rotina. O emprego ocupava o horário comercial, mas as noites e os fins de semana eram dedicados a testar ideias. 

Algumas se transformavam em sites, outras em aplicativos, e muitas delas acabavam não dando certo. Em diferentes situações, Bruno já comentou que “a maioria das empresas que a gente fez, a gente faliu”. No entanto, cada tentativa serviu como aprendizado e ajudou a amadurecer o seu ponto de vista.

Dos R$ 500 ao primeiro projeto de sucesso

Em 2009, Bruno teve a ideia de criar a Agenda do Produtor, uma plataforma voltada para profissionais do setor de eventos. O projeto começou de forma bem diferente do que muita gente imagina.

Na época, ele precisava de R$ 500 para comprar um script, um código pronto que serviria como base para desenvolver a primeira versão da plataforma. O dinheiro, porém, não estava disponível.

Bruno procurou uma pessoa que considerava ideal para investir na ideia. A esposa desse amigo trabalhava no segmento e tudo indicava que a parceria faria sentido. A resposta, no entanto, foi negativa.

Isso não fez o projeto parar. A busca por alguém que acreditasse na proposta levou Bruno até Andreas Pierkarz, seu sócio e CTO na Empreender.

Andreas Piekars, cofundador da Empreender e sócio de Bruno Brito

A sociedade começou de uma forma incomum. Os dois passaram anos trabalhando juntos sem nunca terem se encontrado pessoalmente. 

Ao lembrar dessa fase, Bruno resume a experiência em uma frase: “O mais legal foi a palavra.” O primeiro encontro presencial aconteceu apenas anos depois, durante o casamento dele.

A confiança construída desde o início continua sendo um dos pilares dessa parceria. Como o próprio Bruno afirma: “Quando você cria uma sociedade, tem que ter muito caráter.”

O projeto cresceu, a Agenda do Produtor conquistou centenas de milhares de usuários cadastrados e permaneceu ativa por muitos anos, tornando-se o seu primeiro case de sucesso.

Desde essa época, Bruno já demonstrava uma característica que continuaria presente nos anos seguintes: lançar projetos rapidamente, aprender com o uso e evoluí-los continuamente. 

Em inúmeras ocasiões, ele explica que prefere colocar uma ideia em funcionamento o quanto antes, acompanhar o retorno dos usuários e aprimorar o produto a partir desse processo. Além disso, acredita que “o mais importante para a gente nessa etapa é o feedback“.

Entre uma empresa e outra, novas ideias saíam do papel

Criar uma empresa nunca significou parar de pensar na próxima ideia. Mesmo enquanto trabalhava em grandes organizações, Bruno mantinha projetos paralelos e aproveitava esse período para testar novos modelos de negócio. Por isso, resume a rotina de forma simples: “A gente sempre tinha um plano B.” 

Foi assim que surgiram diferentes iniciativas ao longo do tempo. Entre elas estava a Roube o Look, uma rede social criada para conectar consumidores às peças usadas por artistas em novelas e programas de televisão. 

A ideia chegou a ganhar visibilidade nacional na imprensa, com reportagens em veículos como o R7, mas enfrentou um desafio comum às startups: o tempo de desenvolvimento.

Bruno recorda que a equipe levou cerca de doze meses para finalizar o aplicativo. Quando ele finalmente foi lançado, um concorrente muito maior apresentou uma solução semelhante. Sem a mesma estrutura para competir, a startup acabou sendo encerrada.

Nos anos seguintes, outras ideias também saíram do papel. Uma delas foi a Sidout.com, plataforma criada para facilitar a troca de moedas estrangeiras entre usuários, sem a cobrança de impostos praticados em transações tradicionais.

O projeto nasceu com uma proposta diferente. Em menos de um mês, a equipe colocou no ar um Produto Mínimo Viável (MVP), versão inicial utilizada para validar uma ideia antes de investir pesado. 

Para ganhar velocidade, o sistema foi construído utilizando apenas duas páginas, mesmo oferecendo uma lógica considerada complexa para esse tipo de serviço.

Diferentemente da Roube o Look, a Sidout.com seguiu outro caminho e acabou sendo vendida. Embora os resultados tenham sido distintos, ambos ampliaram a visão de Bruno e reforçaram o seu ideal: transformar ideias em negócios e observar como elas chegavam ao mercado.

Essa forma de pensar também aparece na maneira como ele interpreta os desafios do empreendedorismo. Para Bruno, dificuldades também revelam oportunidades para quem está pensando no longo prazo.

Por exemplo, ao comentar sobre o alto número de startups que encerram as atividades nos primeiros anos, Bruno diz que a maioria das pessoas olha apenas para o problema. 

A motivação dele é outra: “Você não é o povão. Tem que pensar com outra cabeça.” Essa mentalidade acompanhou todas as decisões que tomou e continua presente na construção dos seus projetos até hoje. 

Da Europa ao Canadá: experiências internacionais abriram novas perspectivas

Depois de criar múltiplos negócios no Brasil, Bruno voltou a morar no exterior. Primeiro, trabalhou em uma empresa parceira do Facebook e do Instagram, na Europa. 

Mais tarde, mudou-se para o Canadá, onde passou a integrar a equipe da Shopify como Guru, ajudando mais de 2 mil pessoas a criarem suas lojas virtuais.

Trabalhar em empresas reconhecidas mundialmente trouxe aprendizados que foram além da parte técnica. Antes dessa experiência, Bruno imaginava encontrar estruturas muito diferentes das que conhecia. Com o tempo, percebeu que a realidade era outra.

Ele conta que acreditava encontrar processos quase perfeitos. A conclusão foi diferente da expectativa: “Eu achei que ia chegar lá e os caras deviam ter uma ferramenta muito top… e, para ser muito honesto, era bem mediano.”

A constatação mudou a forma como enxergava o próprio potencial. Se profissionais de grandes empresas também enfrentavam desafios e limitações, era possível desenvolver soluções capazes de competir nesse cenário. Como afirma: “Eles não são tão fortes assim. Então eu posso jogar esse mesmo jogo.”

Foi também nesse período que Bruno decidiu aprofundar seus conhecimentos em e-commerce. Antes de lançar o Vestidos.net, marketplace para compra e venda de vestidos novos e usados, percebeu que precisava entender melhor esse universo. 

Por isso, mesmo trabalhando na Shopify, continuou tirando novas ideias do papel. Enquanto o Vestidos.net ainda passava pela fase de validação, também desenvolvia a Paparazze, projeto que buscava investimento para ganhar escala.

Ao explicar essa decisão, costuma dizer: “Qual é a maneira mais fácil de aprender alguma coisa? Trabalhando para os outros.”

Essa decisão permitiu conhecer de perto os desafios enfrentados por milhares de lojistas e acompanhar o funcionamento de uma das maiores plataformas de comércio eletrônico do mundo. Muitas das lições desse período influenciam Bruno até hoje.

Mais do que vender conhecimento, a ideia é criar soluções

Desde que criou o canal no YouTube, em 2017, Bruno Brito passou a receber uma pergunta com frequência: por que compartilhar tanto conhecimento gratuitamente? Muitos acreditavam que aquilo fazia parte de uma estratégia para vender cursos.

Em resposta, ele costumava brincar: “Você acha que eu ganho dinheiro vendendo curso? Cara, não.” Para Bruno, o modelo de negócio que estava construindo deveria ser sustentável por si só. 

Na sequência, explica o motivo. Para ele, criar um curso exige muito mais do que gravar aulas. É preciso oferecer suporte aos alunos, atualizar o conteúdo constantemente e acompanhar a evolução de cada turma. 

Como não conseguiria fazer tudo isso com a qualidade que considera necessária, decidiu seguir outro caminho e assim define: “Hoje eu crio ferramentas para que o seu trabalho como empreendedor seja mais fácil.”

Essa é a proposta desde o início do seu canal. A abertura com “E aí, empreendedor?” já se tornou uma marca registrada para quem acompanha seus vídeos, que reúnem testes, aprendizados, novidades do mercado e experiências construídas a partir da própria trajetória. No encerramento, outro convite se repete: “Bora empreender!”

Hoje, o canal de Bruno Brito soma mais de 125 mil inscritos, tem mais de 1.400 vídeos publicados, acumula milhares de visualizações e se consolidou como uma das maiores referências brasileiras em e-commerce, dropshipping, marketing, inteligência artificial e empreendedorismo. 

Bruno atua como CEO da Empreender e da Montink. Ao longo da carreira, construiu empresas, testou modelos de negócio e lançou dezenas de produtos, mantendo a mesma curiosidade e disposição para experimentar que marcaram seus primeiros projetos. Casado com Patricia Belinski, ele é pai da Gigi, sua melhor startup (como ele mesmo diz).

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