A tecnologia está mais avançada do que nunca. Hoje, o mundo inteiro está a alguns cliques de distância: temos fácil acesso a informações, formas de entretenimento e notícias. Mas, com todo esse avanço, veio também um prejuízo: o vício nas redes sociais.

Estima-se que jovens entre 12 e 17 anos passem de 2 a 6 horas diárias em frente às telas, com picos que podem ultrapassar 8 ou 9 horas. Esse comportamento pode prejudicar o sono, a saúde mental, as habilidades de relacionamento e o desempenho escolar.

Pensando em tirar as crianças da tela, Flávio, pai de Matheus e Maya e tio de Carlos Henrique, teve a ideia de começar um negócio em família: a venda de peças produzidas por impressão 3D.

A proposta era simples: ele compraria a impressora parcelada, e as próprias crianças pagariam as prestações com o dinheiro do negócio. Assim nasceu a Trixel 3D. Em conversa com a nossa equipe, os três sócios contam um pouco mais sobre o negócio.

De vendas na escola às feiras

Quando Flávio pensou na criação da empresa, a intenção já era a de ser um negócio de verdade. Mas foi quando os jovens começaram a vender os primeiros produtos na escola que perceberam que havia interesse pelas peças.

O que começou entre colegas logo chegou às feiras, onde eles encontraram um público ainda maior. Foi também nesses eventos que descobriram que empreender com impressão 3D exigia muito mais do que colocar um arquivo na máquina e esperar o produto ficar pronto.

“A gente achou que era só clicar no botão e esperar que a peça já saísse pronta. Mas não. Tem erros que, se você demorar muito para resolver, podem estragar a peça inteira”, conta Maya.

Hoje, os três dividem as tarefas da empresa. Matheus fica mais ligado à produção, Maya participa da montagem dos produtos e dos vídeos, enquanto Carlos Henrique ajuda nas feiras e também na produção de conteúdo. Carlos e Matheus, inclusive, estão aprendendo modelagem 3D para ampliar as possibilidades de criação.

Conforme o negócio se profissionaliza, a equipe desenvolveu uma rotina para organizar a produção. Depois de cada feira, os produtos vendidos são registrados para que possam ser reimpressos. Para escolher novidades, os jovens pesquisam o que está fazendo sucesso nas redes sociais, produzem uma unidade de teste e avaliam se vale a pena fabricar mais.

Transformando filamentos em novas ideias

Para os jovens, uma das partes mais interessantes da impressão 3D é justamente acompanhar a transformação do material.

“O que mais me encanta é ver o plástico, um filamento, virar um material, um brinquedo ou um boneco.”

A liberdade de criar também permite que a equipe experimente diferentes tipos de produtos. Entre os favoritos estão peças de Pokémon, clickers e itens sensoriais. Mas um deles ganhou um lugar especial: o dinossaurão da Trixel 3D.

No início, os jovens acreditavam que projetos muito grandes seriam impossíveis porque a impressora era pequena. Com criatividade, porém, conseguiram produzir um dinossauro que chega a um metro de altura e hoje os acompanha em todas as feiras.

Além de ser um dos produtos favoritos, o dinossauro também ajuda a despertar a curiosidade de quem passa pela barraca. Segundo os jovens, as crianças são justamente as que mais se interessam pelos produtos.

Empreendedorismo trouxe lições importantes

A experiência com a Trixel 3D trouxe aprendizados que vão muito além da impressão 3D. Para tocar o negócio, os jovens precisaram aprender a lidar com dinheiro, dividir responsabilidades, cumprir horários, negociar e conversar com os clientes.

Para Carlos Henrique, inclusive, vender nas feiras ajudou a desenvolver uma habilidade que antes era um desafio: a comunicação.

“Eu não sabia falar muito bem com as pessoas. Eu não tinha o jeito para falar com pessoas. Só que, vendendo e mexendo com impressão 3D, eu desenvolvi essa nova habilidade. Agora eu consigo me comunicar melhor com outras pessoas.”

A própria impressão das peças também virou um exercício de paciência. Como alguns produtos levam mais de um dia para ficarem prontos, é preciso esperar. Quando algo dá errado, é necessário começar novamente.

Uma experiência difícil colocou a marca em evidência

Mesmo sendo uma empresa recente, nem todas as experiências foram fáceis. Em maio de 2026, a equipe passou por um dos momentos mais difíceis da trajetória ao ser expulsa de uma feira para a qual havia se preparado durante semanas.

Por ser uma das primeiras experiências do tipo, os jovens chegaram a acreditar que as próximas feiras também seriam difíceis. Mas o episódio teve um desfecho inesperado: através das redes sociais, eles receberam apoio de pessoas do Brasil inteiro.

A equipe conta que se não tivesse recebido esse apoio, poderia ter desistido da ideia da empresa. Mas o incentivo nas redes sociais fez com que eles se sentissem acolhidos e mais motivados a continuar.

Além disso, o episódio ensinou uma das lições mais importantes do empreendedorismo: a concorrência existe. Nem sempre será fácil, mas é preciso saber lidar com ela. 

A experiência também despertou nos jovens a vontade de ajudar outras pessoas que estão começando. Matheus conta que o pai criou um grupo para compartilhar dicas e ensinar outras pessoas interessadas em aprender sobre impressão 3D.

Planos para o futuro? crescer e inspirar

Para o futuro, a Trixel 3D tem planos ambiciosos. A equipe pretende aumentar o faturamento em 60% até o final do ano e, no futuro, vender pela internet e também ter lojas físicas.

Mas o objetivo vai além do crescimento da empresa. Os jovens querem mostrar que a tecnologia pode ser usada para criar, aprender e até gerar renda em vez de servir apenas como fonte de entretenimento.

Para quem tem vontade de começar um negócio ainda jovem, a recomendação deles é simples: ter vontade e contar com o apoio dos pais.

Afinal, como eles próprios aprenderam durante essa trajetória, começar cedo também significa ter espaço para experimentar, errar e descobrir como fazer melhor na próxima vez.

Além das redes sociais, a Trixel 3D está presente também no Artesanou. Conheça os produtos da equipe.