Ganhar dinheiro com conteúdo não depende apenas do número de seguidores. Segundo Josué Aragão, ex-Diretor de Operações do E-commerce na Prática e um dos maiores especialistas em tráfego pago, e-commerce e economia do país, o principal ativo de um influenciador é a audiência que ele consegue construir e transformar em diferentes fontes de receita.
No podcast apresentado por Bruno Brito, CEO da Empreender, Josué compartilhou aprendizados sobre produção de conteúdo, construção de audiência e monetização.
7 dicas de Josué Aragão para monetizar como influenciador
Para Josué Aragão, transformar conteúdo em negócio é muito mais do que fechar publicidade. A construção de uma audiência abre espaço para diferentes formas de monetização, desde links de afiliados até produtos, ferramentas e parcerias.
A seguir, reunimos os principais aprendizados compartilhados por Josué sobre como estruturar esse caminho e gerar receita a partir do conteúdo.
1. Construa uma audiência antes de pensar em vender
No episódio do podcast de Bruno Brito, Josué explica que o próprio canal deixou de ser apenas um espaço para publicar vídeos e passou a funcionar como uma marca.
“Quando você tem audiência, cara, fica tudo muito mais fácil”, afirmou. Segundo ele, essa audiência permite apresentar diferentes produtos e serviços para pessoas que já acompanham seu conteúdo. O influenciador passa, assim, a ter um canal próprio para testar diferentes formas de monetização.
A lógica também vale para quem ainda está começando. Antes de escolher o primeiro produto para divulgar, é preciso entender qual assunto você consegue abordar com frequência e qual público quer acompanhar esse conteúdo.
2. Não dependa de uma única fonte de renda
Josué não concentra sua monetização em apenas um formato. Ele conta que trabalha como afiliado do Mercado Livre, Amazon, AliExpress e Shopee e também criou uma ferramenta própria baseada em inteligência artificial para pesquisa de produtos.
A ferramenta surgiu como mais uma frente dentro do negócio. Segundo Josué, ela pode apresentar produtos de diferentes plataformas, parceiros e até de sua própria loja.
A ideia é criar diferentes caminhos para transformar a audiência em receita. Afiliados, produtos, serviços, ferramentas e parcerias podem fazer parte da mesma estrutura, desde que tenham relação com o público construído pelo criador.
Veja também: As 5 lições do Host2b para transformar conteúdo em renda passiva
3. Escolha produtos que tenham relação com o seu conteúdo
Ter uma audiência não significa que qualquer produto terá espaço dentro dela. A indicação precisa fazer sentido para quem acompanha o influenciador.
No caso de Josué, a própria ferramenta criada por sua equipe permite reunir produtos de diferentes plataformas. Isso mostra uma diferença importante entre simplesmente inserir um link de afiliado em qualquer conteúdo e construir uma indicação relacionada ao que o público procura.
Se sua audiência acompanha seu conteúdo sobre tecnologia, por exemplo, produtos desse universo tendem a fazer mais sentido do que uma oferta aleatória. A escolha precisa partir do interesse de quem está do outro lado da tela.
Aproveite e leia também: Post que gera venda: 10 dicas para influencers, UGC e afiliados
4. Avalie quanto tempo cada parceria realmente consome
As parcerias com marcas podem ser uma fonte de receita, mas Josué percebeu que elas também estavam tomando uma parte significativa de sua rotina.
“Eu decidi diminuir a quantidade de parceria, porque gera, demanda muito tempo, né, para fazer isso”, explicou.
O problema não estava apenas no tempo de gravação. Ele descreveu um processo com várias etapas de aprovação: roteiro enviado pela marca, ajustes, devoluções e novas alterações até chegar ao vídeo final.
Por isso, o criador precisa considerar o trabalho envolvido antes de aceitar uma parceria. Uma campanha pode parecer interessante financeiramente, mas perder sentido quando exige muitas horas de produção e interfere na criação do próprio canal.
No caso de Josué, reduzir esse tipo de trabalho permitiu direcionar mais tempo para conteúdos próprios, expansão da audiência e novas formas de monetização.
5. Preserve seu jeito de falar ao divulgar uma marca
Existe outro ponto que Josué considera importante nas parcerias: a liberdade para o influenciador produzir o conteúdo com sua própria linguagem.
Durante o papo, Bruno Brito comenta sobre os problemas causados pelo excesso de controle das marcas. Josué resume sua visão de forma direta: “O grande lance mesmo é aquela pessoa falar daquele produto.”
O problema aparece quando a empresa tenta transformar o criador em um porta-voz engessado. Segundo os participantes, muitas marcas contratam um influenciador justamente por causa da forma como ele se comunica, mas depois tentam controlar roteiro, linguagem e execução.
Para quem trabalha com conteúdo, manter essa identidade é importante porque a recomendação precisa parecer natural dentro do canal. A audiência conhece o jeito de falar do criador e percebe quando uma divulgação foge completamente desse padrão.
6. Use Instagram e YouTube para ampliar o alcance de um mesmo tema
Josué também percebeu que diferentes plataformas podem trabalhar juntas. Ele conta que um assunto que apresenta bons resultados no Instagram tende a favorecer a publicação sobre aquele mesmo tema no YouTube.
“Para mim, as duas são muito importantes”, disse ao ser questionado por Bruno sobre qual das duas plataformas seria mais interessante para monetização.
Ele dá um exemplo: quando publica um conteúdo sobre determinado assunto no Instagram e esse conteúdo performa bem, o vídeo sobre o mesmo tema no YouTube tende a ter um desempenho melhor.
Isso não significa simplesmente copiar o mesmo vídeo para todas as redes. A experiência de Josué indica que o interesse demonstrado pelo público em uma plataforma pode servir como sinal para decidir quais assuntos merecem ser desenvolvidos em outro formato.
7. Use inteligência artificial como ferramenta, não como autora
A inteligência artificial já faz parte da rotina de Josué, mas não ocupa o lugar da criação. Ele utiliza a tecnologia para pesquisar números, fatos e informações, enquanto mantém a produção criativa sob responsabilidade humana.
“Não gosto de IA, não gosto de roteiro de IA”, afirmou. Logo depois, ele explica sua posição: “A IA é uma boa base para você pesquisar, para você buscar números, buscar fatos”, mas não considera que a ferramenta consiga fazer todo o trabalho criativo.
A escolha também está relacionada ao estilo de conteúdo que ele produz. Josué afirma que gosta de contar histórias e, por isso, prefere ter pessoas envolvidas na criação dos roteiros.
Para quem trabalha com influência, a IA pode acelerar tarefas de pesquisa e organização sem eliminar aquilo que diferencia um criador de outro: repertório, opinião, narrativa e jeito próprio de apresentar um assunto.
O que Josué mostra sobre ganhar dinheiro com conteúdo
A trajetória apresentada por Josué mostra que a monetização não começa no link de afiliado. Ela começa na construção de uma audiência que reconhece o criador e acompanha o conteúdo que ele produz.
A partir daí, surgem diferentes possibilidades. O influenciador pode trabalhar com afiliados, desenvolver produtos e ferramentas, fechar parcerias e criar novos canais para alcançar públicos específicos.
O próprio Josué decidiu reduzir parte das parcerias para investir mais na expansão da audiência e em outras formas de receita.
O ponto central está em não tratar o perfil como apenas um espaço para publicar conteúdo. Quando existe uma audiência construída em torno de uma pessoa e de um tema, esse canal também pode se transformar em um negócio com diferentes fontes de renda.
Gostou do tema? Inscreva-se no canal de Bruno Brito, confira a entrevista completa e aprenda mais com outros conteúdos!










