Quando Kelly Ivanik perdeu o emprego durante a pandemia, precisou reorganizar completamente a rotina da família. Na época, ela havia acabado de retornar da licença-maternidade e buscava uma forma de continuar trabalhando enquanto cuidava da filha pequena, que tinha apenas seis meses.
Foi nesse contexto que nasceu o Chá d’Alice, ateliê voltado para peças artesanais feitas em feltro. O que começou como uma alternativa de renda em meio às incertezas daquele período acabou se transformando em um negócio voltado para acessórios infantis, decoração e produtos personalizados.
Hoje, Kelly vive uma nova etapa no Artesanou, uma alternativa ao Elo7, e segue investindo no crescimento da loja e em novas criações feitas em feltro.
Como a maternidade inspirou o surgimento do Chá d’Alice
Antes de trabalhar com artesanal, Kelly atuava como compradora de uma rede de supermercados no interior de São Paulo. Após o seu desligamento, passou a ficar mais tempo em casa com a filha e começou a pesquisar referências internacionais de laços e headbands florais em feltro, modelos que ainda eram pouco comuns no Brasil.


Depois de tentar comprar alguns modelos importados sem sucesso, decidiu aprender a produzir as próprias peças e começou a estudar técnicas e possibilidades dentro do artesanal voltado para acessórios infantis.
Kelly conta que o início da trajetória no artesanal trouxe desafios bem diferentes da rotina corporativa que conhecia até então: “Eu comecei já imaginando que seria algo incrível”, relembra.
Com o passar do tempo, vieram também as dificuldades e responsabilidades de ter o próprio negócio. “Empreender não é tão simples assim”, afirma.
Mesmo diante dos desafios do começo, ela continuou estudando técnicas em feltro e passou a produzir flores artesanais para tiaras e acessórios infantis.
Além do hobby: o Chá d’Alice deixou de ser apenas renda extra
Com o passar do tempo, o trabalho artesanal começou a ocupar cada vez mais espaço na rotina da casa. O que começou com acessórios infantis logo abriu espaço para novas criações em feltro dentro do Chá d’Alice. Kelly passou a desenvolver mini bags infantis, móbiles de berço, varais decorativos, placas personalizadas e porta-maternidade.



Conforme os pedidos começaram a aumentar, o ateliê passou a exigir uma dedicação cada vez maior. “A rotina começou a tomar aquele formato de trabalho mesmo, sabe? Eu sentava para trabalhar nas peças e só saía quando estava tudo prontinho”, conta a empreendedora.
Com o aumento dos pedidos e da rotina de produção, Kelly percebeu que o Chá d’Alice já tinha ido muito além do que imaginava no começo: “Comecei a sentir que estava profissionalizando aquilo que muitos veem como um hobby”, afirma.
Criações em feltro passaram a definir a identidade do Chá d’Alice
Muitas das peças criadas no Chá d’Alice começam a partir das ideias enviadas pelas próprias clientes. Kelly explica que muitos pedidos chegam apenas com uma inspiração, uma referência visual ou um tema específico que precisa ser adaptado para o feltro.
“As clientes chegam pedindo, sonhando com algo, e eu trago aquilo para a realidade”, diz. Ao longo dos anos, as criações personalizadas passaram a ocupar cada vez mais espaço dentro do ateliê.
Entre os produtos desenvolvidos por Kelly estão placas decorativas inspiradas em animais de estimação, varais personalizados, móbiles infantis e bolsas autorais feitas em feltro.
A bolsinha de cogumelo da personagem Lila, criada pela própria artesã, acabou se tornando um dos carros-chefes da loja.


O cuidado artesanal está presente em cada pedido
Além da produção artesanal, Kelly também faz questão de manter um atendimento próximo com as clientes.
Desde os primeiros pedidos, ela passou a enviar pequenos brindes personalizados junto das encomendas. Na época dos acessórios infantis, os mimos costumavam ser presilhas feitas especialmente para cada cliente. Hoje, os brindes continuam acompanhando parte das encomendas feitas no ateliê.

Para Kelly, o cuidado artesanal sempre foi uma das partes mais importantes do trabalho desenvolvido no Chá d’Alice. “Acho que o diferencial é o capricho e o carinho em cada detalhe”, destaca.
Ela afirma, inclusive, que justamente esse cuidado acabou se tornando uma das características mais elogiadas pelas clientes.
Kelly também explica que gosta especialmente dos pedidos em que recebe liberdade criativa para transformar as ideias das clientes em peças exclusivas.
A encomenda inspirada em Toy Story que marcou o Chá d’Alice
Entre os pedidos que marcaram a trajetória do ateliê, um dos mais especiais envolve personagens de Toy Story. Kelly havia produzido um boneco do xerife Woody inicialmente para ela mesma. Depois de publicar uma foto nas redes sociais, recebeu um pedido para criar toda a turma do filme.
A encomenda foi feita por uma prima e, no início, Kelly imaginou que o pedido tivesse relação apenas com decoração ou apoio ao novo trabalho que estava começando.
Mas a reação na entrega acabou surpreendendo a artesã. “Eu recebi um abraço apertado, forte, com muita emoção e choro de alegria”, relembra Kelly.
Naquele momento, a cliente contou que ter aqueles personagens representava a realização de um sonho de infância. “Nunca vou me esquecer disso”, afirma.


Como o fim do Elo7 afetou o Chá d’Alice
Assim como aconteceu com milhares de artesãos brasileiros, o encerramento do Elo7 trouxe insegurança e preocupação para Kelly.
“Acho que, assim como para a grande maioria dos artesãos, foi um choque”, relata. Ela conta que demorou alguns dias para conseguir assimilar a notícia e entender o impacto que aquilo teria na rotina do ateliê.
Segundo Kelly, um dos diferenciais do Elo7 era justamente permitir que artesãos vendessem produtos personalizados sem competir diretamente com grandes marketplaces. “Era onde a gente podia vender sem precisar estar em uma concorrência absurda”, explica.
Quando percebeu que precisaria reorganizar completamente as vendas online, o sentimento foi de desespero. “Houve muito choro e aflição”, relembra.
Kelly afirma que o maior desafio desde então passou a ser manter as vendas em plataformas com públicos muito diferentes do Elo7.
“Vender algo artesanal que é feito com carinho e leva tempo em uma Shopee da vida não é simples”, afirma. Segundo ela, muitos clientes também ficaram sem saber onde encontrar os produtos do ateliê depois do encerramento da plataforma.
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A mudança para o Artesanou trouxe um novo recomeço para Kelly
Logo após a notícia sobre o fim do Elo7, Kelly entrou em grupos de ex-lojistas nas redes sociais para acompanhar o que outros artesãos fariam dali em diante.
Foi nesse momento que ela conheceu o Artesanou. “No mesmo dia do encerramento do Elo7, eu me deparei com o link do grupo do Artesanou”, conta.
Segundo Kelly, o processo de migração da loja do Elo7 para o Artesanou aconteceu de forma tranquila, principalmente porque o catálogo ainda era menor do que o de outros artesãos que precisaram transferir milhares de produtos.
Depois da mudança, ela passou a divulgar o novo endereço da loja no Artesanou para clientes antigos e seguidores das redes sociais. Mesmo assim, a sensação ainda é de recomeço.
“Foi um mix de emoções. Parece que estou iniciando tudo do zero, com todos os sonhos e medos”, afirma Kelly. Apesar das dificuldades, ela diz que continua esperançosa em relação ao futuro do ateliê.
Os novos planos do Chá d’Alice para crescer além dos marketplaces
Com a mudança de plataforma, Kelly decidiu aproveitar o momento para reorganizar projetos e pensar em novas estratégias para o Chá d’Alice.
Segundo ela, os próximos passos envolvem fortalecer a presença do ateliê nas redes sociais e expandir as criações próprias desenvolvidas em feltro.
Mesmo diante das mudanças recentes, Kelly diz que continua pensando em novas possibilidades para o ateliê: “Tenho muitas ideias em mente”, conta.
Além de alcançar novos clientes, Kelly também pretende ampliar a produção de peças autorais voltadas para outras artesãs do segmento.
Kelly reforça que manter presença online se tornou indispensável para quem trabalha com artesanal: “Poste as fotos dos seus trabalhos, não tenha vergonha de ser visto. Não deixe que essa mudança faça você desistir do sonho que é o seu artesanato”, aconselha. Conheça a loja Chá d’Alice.










