O Live Commerce e o Social Commerce estão mudando a forma como marcas e consumidores se encontram no ambiente digital.
Para entender os próximos movimentos desse mercado, Bruno Brito, CEO da Empreender, conversou com Josué Aragão, ex-Diretor de Operações do E-commerce na Prática e um dos maiores especialistas em tráfego pago, e-commerce e economia do Brasil. Continue lendo e confira!
Como o Social Commerce está mudando o e-commerce
As redes sociais estão ganhando espaço na jornada de compra, principalmente na descoberta de produtos. O consumidor pode encontrar uma oferta enquanto acompanha um conteúdo e concluir o pedido no próprio ambiente, sem precisar acessar outro site.
Durante a conversa com Bruno Brito, Josué Aragão resumiu esse movimento a partir de uma situação cada vez mais possível para quem compra pelas redes sociais: “Você tá no Instagram, viu a roupa, já compra direto a roupa lá, não tem porque ir para uma loja virtual, finaliza por ali mesmo”.
Essa mudança aproxima duas etapas que antes estavam mais separadas: o conteúdo e a compra. A rede social deixa de ser apenas um canal para apresentar produtos e passa a participar diretamente da venda.
O avanço também chega aos marketplaces. As plataformas estão incorporando recursos de descoberta de conteúdo e novas formas de interação com os produtos, criando ambientes nos quais o consumidor pode navegar sem necessariamente começar sua jornada por uma busca.
Para Josué, esse movimento está relacionado a uma disputa maior pela atenção do consumidor. Plataformas que já concentram milhões de usuários passam a ter uma vantagem também na descoberta de produtos, enquanto as lojas virtuais precisam considerar que o primeiro contato com uma marca pode acontecer fora do próprio site.
O que o Brasil pode aprender com o Live Commerce da China
A China oferece uma referência importante para entender a possível evolução do Live Commerce no Brasil. Josué acompanha esse mercado e aponta a escala que as transmissões comerciais já alcançaram no país.
Segundo ele, existem estruturas semelhantes a grandes galpões, divididas em diferentes cenários, com várias pessoas realizando transmissões e vendendo produtos.
O modelo transforma a live em uma operação de vendas contínua, e não apenas em uma ação promocional eventual.
Na conversa com Bruno Brito, Josué também relaciona esse cenário ao crescimento da influência de pessoas que já possuem uma audiência. “Influenciadores estão sendo fundamentais”, afirma ao falar sobre a evolução desse mercado e sobre a chegada de modelos inspirados no comércio chinês.
O Brasil ainda está em uma etapa anterior, mas algumas plataformas já testam formatos que aproximam o país desse modelo.
A expansão do TikTok Shop e os movimentos de marketplaces e redes sociais indicam que as transmissões podem ganhar espaço como canal de venda.
A diferença está principalmente na escala. Enquanto a operação chinesa já conta com estruturas dedicadas e grande volume de transmissões, o mercado brasileiro ainda está construindo esse formato.
TikTok Shop e marketplaces: quem vai dominar a próxima fase do e-commerce?
A disputa pelo Social Commerce envolve cada vez mais plataformas. TikTok, Mercado Livre, Kwai e Meta estão criando caminhos para aproximar conteúdo, descoberta e compra.
O TikTok ocupa uma posição importante nesse movimento por trazer ao Brasil um modelo inspirado no Live Commerce chinês. Para Josué, a plataforma faz parte de uma transformação maior, na qual pessoas com audiência passam a ter um papel cada vez mais importante na venda de produtos.
O Mercado Livre também aparece nessa mudança. Josué observa o feed da plataforma como um possível caminho para aproximar o marketplace do modelo das redes sociais. Na visão dele, esse formato pode evoluir para transmissões nas quais um influenciador apresenta diferentes produtos e realiza vendas.
O Kwai Shop segue uma direção semelhante, enquanto a Meta também avança na integração entre conteúdo e comércio. Com isso, as plataformas passam a disputar não apenas a transação, mas o momento anterior, quando o consumidor ainda está descobrindo o que deseja comprar.
Esse movimento pode alterar a lógica tradicional dos marketplaces. O consumidor não precisa necessariamente entrar na plataforma sabendo qual produto procura. O próprio conteúdo pode despertar o interesse e conduzir à compra.
Qual será o papel dos influenciadores no futuro do e-commerce?
O crescimento do Live Commerce coloca os criadores de conteúdo em uma posição cada vez mais próxima da venda. Para Josué Aragão, pessoas que já construíram uma audiência tendem a ganhar espaço nesse cenário porque conseguem direcionar a atenção do público para produtos e serviços.
Na conversa com Bruno Brito, ele explica que construir uma marca em torno do próprio nome e reunir uma audiência abriu diferentes possibilidades de atuação. “Eu consigo pegar essa audiência e canalizar uma comunicação para produtos, para serviços”, afirma Josué.
Essa dinâmica muda a função do influenciador dentro do e-commerce. Ele não precisa apenas divulgar uma campanha criada por uma marca. Pode apresentar um produto, recomendar uma oferta e participar diretamente da decisão de compra.
A experiência de Josué também mostra como esse modelo pode gerar diferentes fontes de receita. Ele atua como afiliado de marketplaces como Mercado Livre, Amazon e Shopee e desenvolveu uma ferramenta baseada em inteligência artificial para encontrar produtos e comparar preços.
A recomendação, porém, precisa preservar a credibilidade do criador. Josué conta que reduziu a quantidade de parcerias com marcas porque esse tipo de trabalho exigia muito tempo entre roteiros, revisões e adaptações.
Ele também relata situações em que cancelou divulgações quando a marca queria que apresentasse uma informação na qual não acreditava.
Esse cuidado ganha importância conforme o influenciador se torna parte do processo de venda. Quando a recomendação é o motivo que leva alguém a considerar um produto, a confiança construída com a audiência passa a ter peso semelhante ao próprio conteúdo.
Como a inteligência artificial pode transformar o Live Commerce?
A inteligência artificial pode ampliar a capacidade de produzir conteúdo para o comércio digital. Na conversa com Bruno Brito, Josué observa que a tecnologia torna mais fácil criar conteúdos em maior volume, algo que pode favorecer operações de Live Commerce cada vez maiores.
A escala, porém, não significa que todo conteúdo precise parecer produzido artificialmente. Ao falar sobre imagens geradas por IA, Josué demonstra preferência por fotografias reais, inclusive com pequenas imperfeições.
Essa percepção aponta para uma possível contradição do avanço tecnológico. Quanto mais fácil se torna produzir conteúdos visualmente perfeitos, maior pode ser o valor atribuído à espontaneidade, à naturalidade e aos elementos que mostram que existe uma pessoa por trás daquele conteúdo.
Para o Live Commerce, isso pode significar uma combinação entre tecnologia e participação humana. A IA pode facilitar a produção e ampliar o volume de conteúdos, enquanto apresentadores e criadores continuam responsáveis pela maneira como os produtos são apresentados ao público.
O que essa transformação significa para sua loja virtual?
A evolução do Live Commerce e do Social Commerce não significa que a loja virtual deixará de existir. A mudança está na quantidade de caminhos que podem levar o consumidor até uma compra.
Uma pessoa pode conhecer sua marca por meio de um influenciador, descobrir um produto em uma live, encontrar uma oferta no feed de um marketplace e só depois acessar sua loja. Em outros casos, todo o processo pode acontecer dentro da própria plataforma.
Para sua loja, isso torna importante observar onde o público descobre produtos e quais formatos conseguem despertar interesse. Redes sociais, marketplaces, vídeos e transmissões podem participar dessa jornada sem necessariamente substituir o site próprio.
Também existe uma questão de posicionamento. Josué chama atenção para a pressão que produtos sem diferenciação sofrem diante da concorrência, especialmente com o avanço dos produtos chineses.
Quando vários vendedores oferecem itens semelhantes, construir uma marca própria ganha importância para não depender apenas de preço.
O futuro do e-commerce, portanto, não aponta para um único canal vencedor. A tendência é de uma integração cada vez maior entre conteúdo, influência, plataformas e venda.
Para as lojas virtuais, acompanhar essa transformação significa entender como o consumidor chega até seus produtos e quais ambientes podem fazer parte dessa jornada.
O que essa transformação significa para sua loja virtual?
A expansão do Live Commerce e do Social Commerce não significa que a loja virtual deixará de existir. O que muda é o caminho até ela e, em alguns casos, o próprio lugar onde a compra acontece.
Sua loja pode ser descoberta por meio de um vídeo, apresentada por um influenciador, encontrada no feed de um marketplace ou vendida durante uma transmissão ao vivo.
Por isso, acompanhar esse movimento exige olhar para além do próprio site e entender como conteúdo e venda estão se aproximando.
A visão de Josué Aragão mostra que esse processo já está em andamento. China, TikTok, Mercado Livre, Kwai e Meta apontam para um comércio cada vez mais integrado às plataformas de conteúdo.
Para o lojista brasileiro, a questão não é escolher entre loja virtual, marketplace ou redes sociais. É entender como esses canais podem participar de uma jornada de compra que está ficando cada vez menos linear. Inscreva-se no canal de Bruno Brito, confira a entrevista completa e aprenda mais com outros conteúdos!










