Viviane Zaratini fez do artesanato uma fonte de renda com a Casa Floral

Empreender com artesanato pode começar de uma necessidade e ganhar novos caminhos conforme as ideias surgem. Foi assim com Viviane Zaratini de Almeida Vieira, que encontrou nesse trabalho uma maneira de complementar a renda da família e contribuir para o sonho de conquistar a casa própria.

À frente da Casa Floral, Viviane reúne diferentes técnicas, criatividade e atenção aos detalhes. Depois de anos vendendo pela internet, ela mantém hoje sua loja no Artesanou.

Da busca pela casa própria ao primeiro produto vendido por Viviane Zaratini

Em 2018, Viviane e o marido tinham um objetivo: sair da zona rural e comprar uma casa na cidade. Quando encontraram um imóvel, porém, precisaram assumir uma entrada alta, parcelada enquanto aguardavam a documentação ficar pronta. Foi nesse período que ela começou a procurar maneiras de aumentar a renda.

Enquanto pesquisava na internet, Viviane encontrou o Elo7 e também buscava ideias para o aniversário de um ano do filho. O contato com a plataforma acabou despertando a ideia de empreender com artesanato, algo que já fazia parte de sua vida.

Na família, as habilidades manuais já estavam presentes. Sua tia fazia bonecas com rosto de porcelana, enquanto mãe, avó e tias trabalhavam com crochê. Viviane também fazia crochê, ponto cruz, vagonite, argila fria, trabalhos com tecidos e outras técnicas.

A primeira aposta foi o EVA, com máscaras de personagens infantis. Depois de montar sua loja no Elo7, veio a primeira venda: máscaras do Incrível Hulk.

encomendas cresceram e Viviane passou a pesquisar outras possibilidades de produtos. O artesanato começou, então, a contribuir para a renda da família e para a conquista da casa própria.

Uma rotina entre CLT, filhos e mais de 500 avaliações

O Elo7 ocupou um espaço importante nessa construção. Viviane conta que teve vendas excepcionais e conquistou clientes que continuam procurando por ela todos os anos.

Ao mesmo tempo, manter a produção enquanto trabalhava com carteira assinada e cuidava dos filhos pequenos exigia uma rotina intensa. Desde 2018, ela passou a trabalhar à noite e ajustar a produção às madrugadas. “Minha vida virou uma loucura”, conta.

Em alguns períodos, chegou a virar noites para confeccionar os produtos e cumprir os prazos. Crianças doentes, a vida no sítio, a compra da casa e as responsabilidades do trabalho se somavam à produção artesanal.

Nos meses de maio, junho e julho, período de grande movimento para seus produtos, Viviane chegou a faturar mais de R$ 30 mil trabalhando sozinha. Ao reunir as três lojas que manteve no Elo7, também ultrapassou 500 avaliações na plataforma.

Esse volume não veio sem dificuldades. Viviane conta que já recebeu avaliações negativas por problemas relacionados aos prazos, em momentos nos quais precisava conciliar todas as demandas e não queria perder o valor das vendas.

Medidas, criatividade e cuidado em cada peça da Casa Floral

O processo de produção de Viviane começa com ferramentas simples. “Sempre procuro trabalhar muito com régua, fita métrica e calculadora”, explica. A simetria ocupa um papel importante no trabalho e já houve quem perguntasse se ela utilizava uma máquina para produzir as peças. A resposta é: “Não, porque levo muito a sério medidas.”

Depois de definir as medidas, ela passa o projeto para o papel e faz os rascunhos. Em alguns pedidos, chega a montar o projeto para o cliente antes da produção. Quando a peça permite, também busca alternativas e substitui materiais ou elementos.

O gosto por reaproveitar materiais aparece nesse processo. “Amo o reciclável, reutilizável, então procuro sempre usar da imaginação”, conta.

Cada pedido também passa por uma conferência antes de ser enviado. Viviane procura manter a qualidade do produto e verificar se tudo está correto.

Para ela, uma das partes mais especiais do trabalho aparece quando o cliente recebe a encomenda e aprova o resultado. “Acho que é a mesma coisa quando a mãe em casa faz um bolo, e a família diz: ‘mãe, você é a melhor mãe do mundo, ninguém faz esse bolo melhor que você’. É algo assim.”

As peças da Casa Floral já chegaram a muitos estados brasileiros, do Nordeste ao Sul, e também atravessaram o oceano. Entre os trabalhos que ficaram marcados está um vestido de bruxa do 71, com chapéu azul, feito para Fabiana Justus em 2024.

Viviane também cita entre seus trabalhos os coletes jeans para festas juninas e a fantasia da Dona Florinda com touca de bob, que considera trabalhos de destaque.

O impacto do fim do Elo7 nos planos da Casa Floral

O encerramento do Elo7 aconteceu em um momento especialmente delicado para Viviane. Ela estava sendo demitida depois de 18 anos na empresa em que trabalhava, enquanto o marido também enfrentava uma demissão. 

Os dois tinham o projeto de abrir um comércio próprio, e parte da programação financeira dependia das vendas do artesanato. Quando soube do fim da plataforma, em maio, Viviane conta: “meu mundo parou, toda minha programação para o ano veio água abaixo.”

O artesanato não era sua principal fonte de renda, mas representava uma parte importante dos planos da família. O dinheiro esperado com a temporada de festas juninas seria usado para montar sua loja física.

O desafio seguinte foi decidir para onde levar os produtos. Como fazia tudo sozinha, Viviane não tinha tempo para simplesmente cadastrar seus produtos em várias plataformas enquanto mantinha a produção. Ela começou a colocar alguns itens em outros canais e precisou reduzir o ritmo.

As vendas caíram de forma acentuada. “Enxugando lágrimas, porque o dinheiro da temporada das festas juninas eu ia montar minha loja física, minhas vendas caíram surreais”, relembra.

Mesmo assim, ela voltou para o trabalho CLT, dessa vez sem registro, e continuou fazendo algumas vendas.

O que vem pela frente para a Casa Floral

Viviane já tinha cadastro no Artesanou antes do encerramento do Elo7, o que tornou a migração dos produtos mais simples. Sempre curiosa sobre lojas virtuais, ela passou a fazer os ajustes necessários na plataforma e já realizou duas vendas.

Ainda há produtos que precisam ser revisados depois da migração. Viviane conta que já retirou os itens que apareceram como excluídos e que falta pouco para deixar a loja como deseja.

Sobre o futuro, Viviane mantém uma postura paciente: “eu espero que tudo se encaixe com o tempo, não fico apavorada porque sempre alguém me procura através do Instagram pelo meu produto, mas ainda assim sinto falta da adrenalina. Meu sonho de montar minha loja física está ainda de pé. Porém preciso de valor, então não posso desistir.”

Para outras artesãs que também foram afetadas pelo fim do Elo7, seu recado é direto: “não desistam.” Viviane reconhece que o processo foi doloroso, principalmente para quem tinha no artesanato sua principal fonte de renda.

“Passamos por um processo doloroso, e sinto muito por todos, porque minha fonte principal não era o artesanato, mas para outras pessoas, sim. Então não desistam, que logo tudo entra no eixo.”

Visite a Casa Floral no Artesanou e conheça de perto as criações de Viviane.