Uma boa ideia precisa permanecer igual do começo ao fim? Para Bruno Brito, CEO da Empreender, a resposta é não. Ao longo da carreira, projetos ganharam novos formatos, empresas surgiram a partir de outras iniciativas ou foram encerradas para dar lugar a oportunidades maiores.
Mais do que insistir em um plano inicial, ele aprendeu que colocar uma ideia em contato com o mercado costuma revelar caminhos que dificilmente apareceriam apenas no papel.
É por isso que testar, ajustar e até mudar de direção passaram a fazer parte da forma como Bruno empreende. Alguns dos principais negócios liderados por ele nasceram ou mudaram de rumo a partir dessa visão e é por eles que esta história começa.
Grandes empresas podem começar com uma ideia completamente diferente
“Eu sou uma pessoa inquieta. Gosto de criar coisas, testar ideias e descobrir se elas realmente fazem sentido.” Essa frase ajuda a entender por que Bruno nunca tratou uma ideia como um projeto imutável. Para ele, o primeiro plano representa apenas o começo do processo.
A própria Empreender mostra isso. Antes de se tornar um ecossistema com mais de 20 aplicativos para e-commerce, a proposta era criar uma comunidade onde empreendedores pudessem aprender juntos, trocar experiências e compartilhar conhecimento por meio de uma escola online e de uma rede social.

Esse conceito continua fazendo parte da empresa. Hoje, ele aparece na produção contínua de conteúdos gratuitos, principalmente no YouTube, tanto no canal do Bruno quanto no canal oficial da Empreender, além de diferentes iniciativas voltadas para quem vende pela internet, como o PodEmpreender e Empreender Academy.
Ao mesmo tempo, novas soluções passaram a ser desenvolvidas para atender necessidades que surgiam no dia a dia dos lojistas. Essa evolução ajuda a explicar outra reflexão de Bruno: “Tem muita coisa que, no papel, parece genial. A gente coloca em prática e percebe que era uma péssima ideia.”
O primeiro teste vale mais do que meses de planejamento
Nem sempre o maior risco está em lançar um produto cedo. Às vezes, ele aparece justamente quando se espera demais.
Bruno viveu essa experiência na prática ao criar a startup Roube o Look. A equipe passou cerca de dez meses desenvolvendo uma versão considerada perfeita, trabalhando simultaneamente nas versões para Web, Android e iOS.
Antes que o lançamento acontecesse, um concorrente maior apresentou uma solução semelhante e ocupou esse espaço. O projeto faliu, mas deixou um aprendizado que Bruno continua levando para os negócios criados depois disso: “Done is Better Than Perfect”, ou, em português, feito é melhor do que perfeito.
Em outras oportunidades, ele colocou essa ideia à prova. Por exemplo, enquanto trabalhava no Facebook, Bruno cofundou a Sidout.com, uma plataforma para troca de moedas estrangeiras entre usuários.
Desta vez, o objetivo não era construir um produto completo antes de ouvir o mercado. O Produto Mínimo Viável (MVP) ficou pronto em menos de um mês e utilizava apenas duas páginas, reduzindo o tempo de desenvolvimento e os custos do projeto. Poucos meses depois, a startup foi vendida.
As duas experiências mostram que testar uma ideia não significa entregar um produto inacabado. Significa descobrir o mais cedo possível se ela realmente resolve um problema antes de ampliar o investimento em desenvolvimento.
Para ele, uma boa ideia não precisa permanecer exatamente como foi imaginada. Ela precisa continuar fazendo sentido conforme o mercado muda.
Uma boa ideia também pode dar origem a outras
Um novo produto nem sempre nasce do zero. Às vezes, ele surge depois de anos convivendo com o mesmo problema e entendendo melhor o que os clientes realmente precisam. Foi assim que alguns dos projetos da Empreender evoluíram.
Entre os primeiros aplicativos desenvolvidos pela empresa estavam uma solução para emissão de boletos bancários e outra voltada para integração com o WhatsApp.
Cada uma atendia a uma necessidade específica dos lojistas e, com o passar do tempo, revelou novos desafios que iam além das funcionalidades oferecidas inicialmente.
Esses aprendizados contribuíram para o desenvolvimento do SAK. O conhecimento acumulado ao longo dos anos permitiu reunir em uma única plataforma recursos de atendimento, CRM, automação, inteligência artificial e outras funcionalidades que antes estavam distribuídas em soluções diferentes.
Outro exemplo veio do Drop Nacional. A plataforma continuou conectando lojistas a fornecedores brasileiros, enquanto a solução que era dedicada aos produtos personalizados cresceu até ganhar identidade própria. Esse movimento levou à criação da Montink, empresa especializada em print on demand e pioneira no segmento no Brasil.
Casos como esses ajudam a entender porque Bruno Brito evita tratar uma ideia como um projeto definitivo. Quando um produto encontra novos problemas para resolver, ele pode crescer, abrir novas frentes ou até dar origem a outro negócio.
É assim que muitas das empresas criadas por ele começaram: não com uma ideia totalmente nova, mas como o próximo passo de algo que já existia.

Saber a hora de encerrar um projeto também faz parte do processo
Nem toda ideia continua fazendo sentido até o fim. Bruno relembra um projeto que consumiu cerca de R$ 300 mil e muito tempo de dedicação: “Foi muito dinheiro. Durante um ano inteiro, trabalhamos praticamente todos os finais de semana. Sábado. Domingo. À noite. A gente tinha um plano principal e esse projeto rodava em paralelo.”
Quando o produto estava pronto para ganhar mercado, surgiu um concorrente com uma solução mais completa. “O Buscapé lançou praticamente a mesma solução e tinha muito mais recursos do que nós. Olhamos um para o outro e falamos: ‘Vamos fechar.'”
Muita gente desiste depois de viver uma situação como essa. Bruno conta que nunca encara dessa forma: “Eu nunca tive muito tempo para ficar frustrado. Venho do zero. Então, quando alguma coisa dá errado, eu simplesmente penso na próxima. Não fico me permitindo entrar naquele papel de ‘coitadinho’.”
No entanto, isso não significa ignorar o que aconteceu. “Acho que existe um momento para ficar triste. Você trabalhou meses em um projeto. Investiu dinheiro. É normal sentir. Mas não pode ficar preso nisso.”
Quando recorda aquele período, uma lembrança continua muito clara. “No dia em que encerramos o projeto, foi pesado. Mas só naquele dia. No dia seguinte já estávamos pensando no próximo.”
E conclui: “Não dá para construir uma empresa carregando o peso de todos os projetos que deram errado.”
Depois do primeiro teste, começa o verdadeiro trabalho
Ao longo da sua trajetória profissional, Bruno Brito criou empresas, faliu, encerrou projetos e viu algumas iniciativas darem origem a negócios completamente diferentes daqueles imaginados no início.
Mais do que procurar uma ideia perfeita, aprendeu a colocá-la em contato com a realidade o quanto antes. Afinal, é nesse momento que o mercado mostra o que vale a pena continuar desenvolvendo, o que precisa ser ajustado e o que já cumpriu seu dever.
“Tem muita coisa que, no papel, parece genial. A gente coloca em prática e percebe que era uma péssima ideia”, afirma o CEO da Empreender.
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