A loja Quero pra Mim surgiu em 2015 a partir de uma experiência que Beatriz Rocha viveu com o próprio filho. Ao criar materiais para estimular as descobertas da infância dentro de casa, ela encontrou uma ideia que acabaria se transformando em negócio.
Agora, após o fim do Elo7, a empreendedora relembra os acontecimentos que marcaram essa história e compartilha os planos para a nova fase do negócio no Artesanou.
Os materiais criados para acompanhar as descobertas de uma criança
Muito antes de pensar em empreender, Beatriz já observava com atenção a forma como o filho interagia com o mundo ao seu redor. Pequenas situações do cotidiano acabaram despertando uma curiosidade que mudaria os rumos da sua vida profissional.
Uma delas surgiu na cozinha da própria casa. “Criei uns ímãs de animais e prendi na geladeira para meu filho ficar brincando por perto enquanto eu fazia as coisas na cozinha. Eles fizeram mais sucesso do que pensei. Ele adorava.”



O interesse pelos animais continuou aparecendo em outros momentos. Quando ganhou miniaturas no aniversário, o menino passou a utilizá-las durante as leituras de um jeito que chamou a atenção da mãe.
“Eu percebi que ele, enquanto ‘lia’, ia colocando a miniatura em cima do livro onde tinha a imagem do animal. A cena se repetiu tantas vezes que Beatriz decidiu ampliar aquelas experiências. Aos poucos, começou a criar materiais para acompanhar os interesses da criança e estimular novas descobertas.
“Ele tinha um kit de frutas e eu criei cartões de cada uma delas. Naquele momento, tudo era feito para uso próprio. Ainda não existia loja, catálogo ou plano de negócios. Existia apenas uma mãe observando o filho aprender e buscando formas de tornar esse processo ainda mais interessante.
O que levou Beatriz a apostar no método Montessori?
Por volta dos dois anos do filho, Beatriz encontrou respostas para comportamentos que já observava havia algum tempo. Ao conhecer o método Montessori, percebeu que muitas das atividades que aconteciam de forma espontânea dentro de casa estavam interligadas.
“Aprendi que esse impulso dele por juntar as miniaturas e suas imagens respectivas fazia parte do desenvolvimento infantil. A partir daí, resolvi investir com propósito.”
A descoberta despertou seu interesse por um universo que até então conhecia pouco. Ela passou a estudar mais sobre o método e a desenvolver novos materiais inspirados nas necessidades e curiosidades do próprio filho. “Criei ainda para ele cartões de diferentes dinossauros e me dediquei a estudar mais o método.”



O que começou como uma iniciativa pessoal ganhou um novo significado à medida que os estudos avançavam. Beatriz percebeu que aqueles recursos poderiam ajudar outras famílias que buscavam formas mais práticas e envolventes de incentivar a aprendizagem das crianças: “E foi aí que decidi criar profissionalmente.”
A decisão marcou o início de uma nova etapa, na qual os materiais deixariam de atender apenas a uma necessidade pessoal para alcançar outras mais gente com o mesmo propósito.
Quando a Quero pra Mim começou a ultrapassar as portas de casa?
A profissionalização do trabalho trouxe novas oportunidades. À medida que os materiais passaram a circular entre famílias interessadas no método Montessori, surgiram também os primeiros pedidos personalizados.
Com o tempo, educadores e instituições de ensino começaram a procurar Beatriz em busca de recursos adaptados às suas necessidades.




A experiência como designer gráfica ajudou a transformar essas demandas em novos produtos. Cada projeto contribuía para ampliar o catálogo da Quero pra Mim e fortalecer sua presença no segmento de materiais educativos.
Anos depois, o trabalho desenvolvido pela empreendedora conquistou um reconhecimento que ela considera especialmente importante.
“Finalmente fui reconhecida pela cúpula montessoriana e tenho parceria com diversas escolas na criação de materiais.” Hoje, seus materiais também são indicados em oficinas e palestras voltadas ao universo Montessori.
“Como sou a única na área a ter um catálogo tão completo de materiais, meu trabalho é indicado em algumas oficinas e palestras montessorianas junto a escolas do Brasil.”




Da inspiração para colaborador: o papel do filho na loja
Quando criou os primeiros materiais para estimular a curiosidade do filho, Beatriz não imaginava que eles se transformariam em sua principal atividade profissional. Menos ainda que, anos depois, a criança que inspirou o surgimento da Quero pra Mim também passaria a participar da rotina da empresa.
“Agradeço a Deus por, através do meu trabalho, ter podido ver de perto meu filho crescer.” Ao longo dos anos, a loja se tornou a principal fonte de renda da família e permitiu que Beatriz acompanhasse de perto diferentes fases da infância e da adolescência do filho.
A proximidade entre os dois também fez com que ele passasse a conhecer os bastidores do negócio desde cedo. Conforme crescia, começou a ajudar em tarefas simples do dia a dia: “Desde pequeno coloco meu filho para ajudar, principalmente na separação e montagem dos kits.”
Mais recentemente, essa participação ganhou uma nova dimensão. Aos 12 anos, ele começou a demonstrar interesse por atividades criativas semelhantes às que fazem parte da rotina da mãe: “Atualmente ele tem começado a trabalhar na criação de artes também.”
De certa forma, a trajetória da Quero pra Mim acompanhou o crescimento do próprio filho. O menino que inspirou os primeiros materiais educativos hoje também ajuda a construir os próximos capítulos da marca.
Como surgem os materiais da Quero pra Mim?
Mesmo depois de quase uma década de atuação, o processo criativo continua sendo uma das partes mais importantes do trabalho de Beatriz. Novos produtos surgem a partir de diferentes fontes de inspiração, mas quase sempre têm algo em comum: nascem de necessidades reais observadas no dia a dia.
“Às vezes vem dos próprios clientes. Outras vezes vem de temas que meu filho está estudando ou de coisas que percebo que ainda não existem no mercado.”
Depois de definir o tema, começa uma etapa que envolve pesquisa, desenvolvimento de conteúdo e criação visual. A experiência como designer gráfica continua sendo uma ferramenta importante nesse processo: “Eu faço toda a arte no Corel Draw.”
Além das ilustrações e informações presentes nos materiais, Beatriz também dedica atenção à seleção dos elementos que acompanham os kits.
Muitas vezes, essa etapa exige a busca por miniaturas e componentes capazes de complementar a experiência de aprendizagem: “Depois pesquiso, seleciono e compro as miniaturas que vão compor os kits.”

O objetivo é criar recursos que sejam visualmente atrativos, duráveis e, ao mesmo tempo, úteis para diferentes contextos de aprendizagem.
Como a Quero pra Mim transforma pesquisa em aprendizagem
Antes de lançar um novo material, Beatriz dedica tempo à pesquisa do tema que será trabalhado. Para ela, a criação de recursos educativos vai além da parte visual e exige um cuidado constante com a qualidade das informações apresentadas.
Esse processo também envolve a busca por assuntos que ainda são pouco explorados dentro do segmento de materiais educativos. Em vez de reproduzir conteúdos já disponíveis em diversos formatos, ela procura desenvolver recursos capazes de ampliar as possibilidades de aprendizagem das crianças.



A proposta não é apenas apresentar informações, mas criar experiências que incentivem a participação ativa das crianças durante o aprendizado. Por isso, muitos materiais combinam cartões ilustrados, miniaturas e atividades que estimulam a observação, a associação e a descoberta.
Esse olhar tem relação direta com os princípios que Beatriz conheceu ao estudar o método Montessori e que continuam influenciando o desenvolvimento dos produtos até hoje.
Histórias que mostram o impacto dos materiais além das brincadeiras
Ao longo dos anos, Beatriz acompanhou inúmeras histórias de famílias que utilizaram os materiais da Quero pra Mim em diferentes momentos da infância. Algumas delas ajudam a ilustrar o impacto que esses recursos podem ter muito além das brincadeiras.
Uma das que mais a marcaram foi a de José. A família utilizava os materiais como apoio no desenvolvimento da fala e compartilhava regularmente os avanços conquistados pela criança ao longo do processo.
Outra história envolve Olívia, que passou a utilizar os kits durante viagens internacionais realizadas com os pais. Os materiais ajudavam a manter atividades educativas e momentos de descoberta, mesmo longe de casa.


Também houve o caso de Alice, cuja família procurava recursos personalizados para complementar conteúdos trabalhados durante os estudos. A experiência mostrou como os materiais podem ser adaptados a necessidades específicas de aprendizagem.
Para Beatriz, relatos como esses ajudam a reforçar o propósito que acompanha a Quero pra Mim desde sua criação: desenvolver recursos capazes de despertar a curiosidade das crianças e apoiar famílias e educadores em diferentes contextos: “São histórias que mostram que o material vai muito além do produto em si.”
O dia em que Beatriz descobriu o encerramento do Elo7
Depois de anos utilizando o Elo7 como principal canal de vendas, Beatriz não imaginava que a plataforma descontinuaria suas atividades de forma tão repentina.
A notícia chegou de maneira inesperada e trouxe preocupações que iam muito além da necessidade de encontrar um novo lugar para vender: “Descobri pelo Instagram.”
A confirmação veio em um momento delicado para a loja. Segundo a empreendedora, as vendas já vinham apresentando queda nos meses anteriores, o que tornava o encerramento da plataforma ainda mais preocupante: “Já estava vendendo muito pouco por lá.”
Além das vendas diretas, o Elo7 também desempenhava um papel importante na divulgação dos produtos. Muitos clientes encontravam a Quero pra Mim por meio de pesquisas na internet ou de conteúdos compartilhados em plataformas como o Pinterest.
Por isso, a notícia gerou dúvidas sobre como manter a visibilidade conquistada ao longo dos anos: “O impacto maior foi perder toda a indexação e divulgação que a loja tinha.”
Para quem construiu parte da trajetória dentro da plataforma, isso representava não apenas uma mudança operacional, mas o fim de um canal que havia acompanhado o crescimento da empresa durante muitos anos.
Como a Quero pra Mim encontrou uma nova casa no Artesanou
Assim como milhares de vendedores, Beatriz começou a procurar alternativas ao Elo7, logo após descobrir o encerramento da plataforma. A busca por informações acabou levando a empreendedora até grupos de discussão formados por lojistas que tentavam entender quais seriam os próximos passos.
Foi nesse contexto que ela conheceu o Artesanou. “Encontrei informações em grupos de vendedores e comecei a acompanhar as orientações sobre a migração.”
O processo aconteceu em um momento de incerteza para muitos empreendedores, mas a possibilidade de transferir os produtos para uma nova plataforma trouxe mais tranquilidade para quem precisava manter as vendas ativas.
Segundo Beatriz, o suporte oferecido durante a transição fez diferença: “Recebemos muita ajuda durante o processo.” A migração permitiu que a Quero pra Mim continuasse atendendo clientes sem a necessidade de reconstruir tudo do zero.
Para Beatriz, o Artesanou representou uma oportunidade de dar continuidade ao trabalho desenvolvido, que começou de forma despretenciosa.
Os planos para ampliar o acesso aos materiais Montessori
Depois da mudança para o Artesanou, Beatriz voltou sua atenção para aquilo que considera mais importante: continuar desenvolvendo materiais capazes de despertar a curiosidade das crianças e apoiar famílias e educadores.
A empreendedora pretende ampliar o alcance da Quero pra Mim nos próximos anos e fazer com que mais pessoas tenham acesso a recursos inspirados na abordagem Montessori.


Entre os objetivos estão o lançamento de novos materiais, o fortalecimento da presença digital da marca e a expansão da base de clientes construída ao longo da última década.
Mais do que crescer em número de vendas, ela deseja continuar desenvolvendo conteúdos que contribuam para experiências de aprendizagem significativas dentro e fora das salas de aula.
Afinal, a proposta que deu origem à Quero pra Mim permanece a mesma desde os primeiros cartões criados para o filho: transformar a curiosidade natural das crianças em oportunidades de descoberta.
O conselho que nasceu de duas mudanças de plataforma
A experiência de passar por diferentes marketplaces trouxe aprendizados importantes para Beatriz. A proprietária da Quero pra Mim já havia enfrentado mudanças em outras plataformas e percebeu que depender de um único canal pode representar riscos para qualquer negócio.
Por isso, existe um conselho que faz questão de compartilhar com outros empreendedores: “Não ponham todos os ovos no mesmo cesto.”
Para ela, construir uma presença diversificada continua sendo uma das formas mais seguras de proteger o trabalho desenvolvido e garantir que mudanças externas não comprometam completamente o funcionamento da empresa.
A recomendação ganhou ainda mais força após o fim do Elo7, experiência que reforçou a importância de buscar diferentes caminhos para alcançar clientes e manter o negócio sustentável.
E é com esse olhar para o futuro que a Quero pra Mim inicia uma nova fase, levando para o Artesanou a mesma proposta que inspirou sua criação: transformar curiosidade em aprendizagem. Conheça a loja Quero pra Mim.










