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Aline Zanardo passou por diferentes profissões antes de encontrar na papelaria personalizada o trabalho que desejava para si. Ao longo dos anos, reuniu experiências que mais tarde ajudariam a dar forma à Papel e Arte.

Hoje, enquanto adapta o negócio a um novo cenário após o fim do Elo7, ela segue atendendo clientes pelo Artesanou e relembra os momentos que ajudaram a construir a sua marca.

Das festas dos filhos aos primeiros pedidos personalizados

Muito antes da Papel e Arte existir, Aline já encontrava motivos para colocar a criatividade em prática. As primeiras experiências aconteceram nas festinhas dos filhos, quando ela mesma produzia os detalhes das comemorações, utilizando recursos simples e muita vontade de aprender.

“Eu só tinha uma impressora simples de cartucho, algumas folhas de sulfite e um sonho.” Formada em Design, ela sempre teve facilidade com atividades ligadas à criação e ao universo digital. O que começou como algo feito para a própria família logo passou a chamar a atenção de outras pessoas.

“Familiares e amigos achavam lindas as peças que produzia e pediam para que fizesse para os filhos também.”

Entre 2007 e 2009, os pedidos começaram a aparecer de forma espontânea. Ainda não existia uma marca estruturada nem presença nas redes sociais. As encomendas chegavam principalmente por indicação.

“Tinha um pedido aqui, outro ali, mas até então não tinha publicado nada desse trabalho. Foi muito no boca a boca, sabe?”

O casamento que transformou um interesse em paixão

Em 2009, a vida profissional de Aline passou por uma mudança inesperada. Ela foi desligada da empresa onde trabalhava e precisou repensar os próximos passos enquanto cuidava dos dois filhos pequenos e se preparava para o casamento: “Me vi perdidinha da silva.”

No ano seguinte, a organização da própria cerimônia acabou despertando um interesse que mudaria sua relação com o universo dos eventos.

“2010 foi o ano do meu casamento e, com a missão de realizar um casamento em apenas nove meses, eu simplesmente me apaixonei por esse mundo.”

Ela mesma produziu parte dos convites e dos materiais da celebração. O envolvimento foi tão grande que, quando percebeu, já estava mergulhada naquele universo.

A experiência abriu portas para novas oportunidades. Nos anos seguintes, Aline trabalhou como assessora de eventos, cerimonialista e colunista de uma revista especializada em casamentos, ampliando ainda mais seu contato com esse mercado.

Os aprendizados que vieram antes da Papel e Arte

Os eventos ocupavam um espaço importante na rotina de Aline, mas uma nova mudança profissional acabaria acrescentando outro conhecimento fundamental para o futuro do negócio.

Em 2015, ela começou a trabalhar em uma loja virtual de artigos religiosos. Foi ali que teve contato direto com processos que mais tarde utilizaria na própria empresa.

“Nessa empresa aprendi tudo: desde como gerir um e-commerce, como montar postagens, embalar, postar, pós-venda, tudo o que se refere a vender online.”

O aprendizado foi além das tarefas operacionais. Aline descobriu um interesse genuíno pelo comércio eletrônico e pela comunicação digital: “E, mais uma vez, me apaixonei por isso. Ao olhar para trás, ela percebe que aquele período ajudou a construir uma base importante para o que viria depois.

Quando Aline decidiu retomar a papelaria personalizada

A nova virada na vida de Aline aconteceu em 2018. A empresa onde trabalhava encerrou as atividades e, mais uma vez, ela precisou recomeçar: “Voltei para casa, mais uma vez, sem saber o que fazer.”

Foi nesse momento que ela voltou a olhar para algo que já fazia parte da sua vida há anos: “Vi minha impressora, vi meu computador, vi meu seguro-desemprego e FGTS e pensei: vou retomar a papelaria personalizada e vender online.”

A decisão marcou uma nova fase. Os conhecimentos acumulados em diferentes áreas começaram a se conectar: o design, os eventos, o atendimento ao público e a experiência adquirida no e-commerce.

Aos poucos, lembranças para batizados deram lugar a convites de casamento, festas de 15 anos e outros projetos personalizados. Foi desse conjunto de experiências que a Papel e Arte encontrou espaço para crescer.

Como o artesanal se tornou mais do que uma fonte de renda para Aline Zanardo

Embora a Papel e Arte tenha se tornado seu principal negócio, Aline acredita que o significado do trabalho artesanal vai muito além do retorno financeiro.

O contato com esse universo começou ainda na infância. Sua mãe também gostava de atividades manuais e acabou influenciando a forma como ela passou a enxergar a criação de peças personalizadas: “Minha mãe sempre foi artesã. Acho que herdei isso dela.”

Ao longo dos anos, ela investiu em cursos, pesquisas e muita mão na massa. Nem sempre os resultados eram perfeitos logo de cara: “Foi muito na tentativa e erro.”

Essa disposição para aprender continua presente até hoje. Mesmo depois de anos trabalhando na área, Aline segue buscando novas referências, técnicas e soluções para aprimorar cada demanda.

Com o tempo, o artesanal também passou a ocupar outro papel em sua rotina. “Hoje o artesanal é uma terapia para mim.”

Por isso, quando fala sobre a Papel e Arte, ela não se refere apenas a uma empresa. O trabalho representa independência financeira, realização profissional e a oportunidade de continuar criando algo que realmente faz sentido para sua vida.

De documentários a passeios no parque: onde surgem as inspirações da Papel e Arte

As ideias para novos projetos raramente surgem de um único lugar. Para Aline, a inspiração faz parte do cotidiano e pode aparecer nas situações mais simples: “Eu busco referências em tudo.”

Filmes, séries, documentários, viagens, passeios em parques e até conversas do dia a dia acabam contribuindo para o processo criativo. Algumas ideias surgem de forma inesperada.

“Às vezes estou assistindo Netflix e vejo uma combinação de cores, uma tipografia ou um detalhe que me chama atenção.”

Mas a criação não começa apenas pelas referências visuais. Antes de desenvolver qualquer projeto, ela procura entender quem está por trás daquela celebração e o que o cliente deseja transmitir.

Cada convite, lembrança ou item personalizado passa por esse processo de interpretação. O objetivo não é apenas criar algo bonito, mas traduzir em cada detalhe a história que será celebrada.

O que Aline faz questão de entregar além da papelaria

Ao longo dos anos, Aline percebeu que muitos clientes chegam até a Papel e Arte carregando expectativas, inseguranças e até receios sobre como ficará o resultado final de um projeto tão importante.

Por isso, ela procura tornar todo o processo mais próximo e transparente. Uma das estratégias é compartilhar etapas da produção por meio de fotos, vídeos e pequenas atualizações durante o desenvolvimento dos pedidos: “Eu adoro mandar spoiler.”

Segundo ela, esse acompanhamento ajuda a reduzir a ansiedade e fortalece a confiança entre cliente e fornecedor. O atendimento também acabou ganhando características próprias. Algumas expressões utilizadas nas conversas se tornaram tão frequentes que hoje são reconhecidas por clientes antigos.

Os bordões “Olá, tudo bem por aí?” e “qualquer coisa é só gritar“, viraram uma espécie de marca registrada da empreendedora.

Mais do que entregar um produto, Aline busca fazer com que cada cliente se sinta acolhido durante toda a experiência de compra.

O pedido que levou a Papel e Arte até a Toscana

Entre os diversos projetos desenvolvidos ao longo dos anos, um deles ocupa um lugar especial na memória da empreendedora.

O pedido veio de uma noiva brasileira que estava organizando seu casamento na Toscana, na Itália. A cliente encontrou o trabalho da Papel e Arte pela internet e decidiu confiar à Aline a criação dos materiais da celebração.

Para Aline, a encomenda representava muito mais do que uma venda: “Eu simplesmente chorei de emoção.” A experiência reforçou algo que ela já vinha percebendo há algum tempo: mesmo trabalhando de casa, era possível alcançar clientes em lugares que jamais imaginou quando começou a produzir as primeiras peças para familiares e amigos.

Essa missão se tornou um marco pessoal e profissional, além de representar uma confirmação de que o trabalho desenvolvido pela Papel e Arte estava alcançando novos horizontes.

Quando experiência e acolhimento se tornam diferenciais

Ao atender clientes que estão organizando casamentos, aniversários, bodas ou festas de debutante, Aline percebe que sua própria trajetória ajuda a criar conexões mais genuínas.

Ela já esteve em muitos desses papéis. Foi noiva, mãe, organizou festas dos filhos e trabalhou nos bastidores de inúmeros eventos. Essa vivência permite compreender melhor as expectativas e preocupações de quem está do outro lado da conversa.

Muitas vezes, a relação construída durante o atendimento resulta em um nível de confiança que vai além do habitual: “Tem cliente que fala: faça como achar melhor, confio em você.

Para Aline, esse tipo de retorno não acontece apenas pela qualidade técnica do trabalho, mas pela combinação entre escuta, proximidade e experiência acumulada ao longo dos anos.

É justamente essa confiança que faz com que muitos clientes retornem em novas fases da vida, recomendem a marca para amigos e continuem acompanhando o trabalho da Papel e Arte mesmo depois da entrega dos pedidos.

Do encerramento do Elo7 à preservação de anos de trabalho

Depois de construir uma base sólida de clientes e avaliações no Elo7, Aline acompanhava com atenção os movimentos da plataforma. Por isso, a notícia do encerramento não chegou exatamente como uma surpresa.

“Apesar de saber que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde…” O que a impactou foi a forma como tudo aconteceu: “Foi um choque.”

Assim como milhares de vendedores, ela viu anos de trabalho concentrados em uma plataforma que deixaria de existir em poucos meses. Além dos anúncios publicados, estavam ali avaliações, histórico de vendas e a credibilidade construída ao longo do tempo.

A preocupação não era apenas encontrar um novo canal de vendas, mas preservar tudo aquilo que havia sido conquistado. Foi nesse contexto que surgiu a oportunidade de salvar os produtos do Elo7 antes da plataforma sair do ar e migrar para o Artesanou.

Segundo Aline, o processo permitiu transferir informações importantes da loja e reduziu parte da insegurança que muitos empreendedores estavam sentindo naquele momento: “Conseguimos levar avaliações, anúncios e muito do trabalho que construímos ao longo dos anos.” 

A possibilidade de manter esses registros teve um peso importante para quem dependia da reputação construída dentro do marketplace.

Mais do que trocar de plataforma, o objetivo era garantir continuidade para um negócio que vinha sendo desenvolvido há anos.

Os próximos passos da Papel e Arte e uma lição importante para empreendedores

Mesmo após tantas mudanças profissionais, Aline continua olhando para frente com a mesma disposição para aprender e criar.

Os planos para a Papel e Arte envolvem seguir desenvolvendo projetos personalizados, ampliando a presença digital da marca e acompanhando as transformações do mercado sem abrir mão do atendimento próximo, que se tornou uma de suas características.

“Quero continuar transformando sonhos em papel.” Ao refletir sobre tudo o que viveu — das primeiras peças produzidas para as festas dos filhos ao encerramento do Elo7 — ela identifica um aprendizado que considera essencial para qualquer empreendedor.

A experiência mostrou que depender exclusivamente de uma única plataforma pode trazer riscos para o negócio.

Por isso, acredita que vale a pena investir na construção de diferentes canais de relacionamento e venda, para reforçar a presença da marca e ser menos vulnerável a mudanças externas: “Não podemos colocar todos os ovos na mesma cesta.”

Para Aline, adaptar-se faz parte do empreendedorismo. Depois de tantas mudanças profissionais, ela aprendeu que nem todo recomeço significa voltar ao ponto de partida. E conclui: “A gente sempre encontra um caminho.” Conheça a Papel e Arte.